Esquema de fraudes bancárias: suspeitos usaram até mãe e filha como 'laranjas', aponta investigação

27/03/2026 - 12:20 - 12:20
Esquema de fraudes bancárias: suspeitos usaram até mãe e filha como 'laranjas', aponta investigação

PF cumpre mandados para desarticular quadrilha suspeita de fraudes bancárias contra Caixa Os alvos da Operação Fallax, que mirou um esquema de fraudes bancárias e foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (25), usaram até mãe e filha como “laranjas”, segundo as investigações. Ao todo, 21 mandados de prisão foram emitidos pela Justiça Federal, e 15 alvos acabaram presos. Outros seis estavam foragidos até esta publicação. Segundo a PF, a organização praticava fraudes bancárias mediante o uso de empresas de fachada, “laranjas” e cooptação de agentes do sistema financeiro, inclusive da Caixa Econômica Federal, que disse colaborar com as investigações (veja nota completa abaixo). De gerentes de banco a falsificadores: quem é quem no esquema de fraudes bancárias De acordo com a decisão que resultou nas prisões, à qual o g1 teve acesso, alguns suspeitos colocaram até nomes de parentes no esquema. Um deles é Raphael Abrantes do Lago, morador de São Paulo (SP), teria usado a própria mãe como “laranja” para receber cerca de R$ 1 milhão. Já a moradora de Limeira (SP) Sarah Tais Barbosa teria aberto empresas de fachada com o nome de sua filha. Ambos foram presos na operação. Falsificações em escala industrial Polícia cumpre mandados de busca e apreensão em Limeira Polícia Militar de Piracicaba/ Reprodução As investigações também revelam uma estrutura profissional para falsificação documental, inclusive com equipamentos destinados à reprodução de assinaturas, o que evidenciava uma atuação "industrial e continuada", segundo decisão judicial. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram O principal responsável por esse trabalho seria Bruno Carvalho de Oliveira, de São Bernardo do Campo (SP) — ele está entre os 15 presos. O serviço incluía falsificação de assinaturas em contratos, adulteração de comprovantes de endereço e extratos de maquininhas, bem como retificação de declarações de imposto de renda para inserção de rendimentos fictícios. Quem é o líder Thiago Branco de Azevedo é apontado como responsável por articular contatos e criar empresas de fachada em esquema de fraudes milionárias contra a Caixa Econômica Federal Reprodução/Redes Sociais/EPTV Segundo as investigações, o líder é o empresário Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, de Americana (SP). Houve uma tentativa de prendê-lo na quarta, mas ele não estava em casa, no condomínio Terras do Imperador, e seguia foragido até esta publicação. LEIA TAMBÉM: Vida de luxo e festa com famosos: quem é o principal alvo de operação sobre fraudes milionárias contra a Caixa O suspeito, conhecido como Ralado, seria responsável pela coordenação das frentes de atuação, o que inclui captação de “laranjas”, constituição de pessoas jurídicas, contato com gerentes bancários e orientação quanto à produção de documentos utilizados nas operações de crédito. Quatro núcleos Sarah, Rivaldo e Paulo foram presos em Limeira (SP) e Americana (SP) Reprodução O esquema está dividido em quatro núcleos. Um deles, o bancário, reúne gerentes de instituições financeiras, entre Alexander Amorim de Almeida e Rodrigo Nagao, da Caixa Econômica Federal. Os dois são de São Paulo (SP) e foram presos na quarta, conforme o g1 apurou. Os núcleos estão divididos da seguinte forma: Bancário: responsável pela viabilização de abertura de contas, concessão de crédito e fornecimento de informações internas. Contábil: atuava na elaboração de documentos para pedidos de crédito, como declarações fiscais, demonstrações contábeis, comprovantes de endereço. Financeiro: fazia a gestão de contas bancárias em nome de “laranjas”, emissão e pagamento de boletos, controle de máquinas de cartão e a realização de transferências. Cooptação: responsável por cooptar potenciais "laranjas", ou seja, identificava e aliciava pessoas para figurarem como sócios de empresas. Essa estrutura teria permitido a constituição reiterada de pessoas jurídicas, a abertura de múltiplas contas bancárias e a celebração de contratos de empréstimo milionários. Já foram identificadas movimentações de, pelo menos, R$ 47 milhões. A PF também identificou indícios de utilização de criptoativos como meio adicional de circulação e ocultação de valores. Na operação, a PF também cumpriu mandado de busca e apreensão contra Rafael Ribeiro Leite Góis, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor. Sua defesa afirmou que vai prestar esclarecimentos necessários às autoridades assim que tiver acesso ao conteúdo da investigação. O g1 não conseguiu contato com as defesas dos suspeitos. LEIA TAMBÉM: De gerentes da Caixa a falsificadores de documentos: saiba quem é quem no esquema de fraudes bancárias O que diz a Caixa? Em nota, a Caixa afirmou colaborar com as investigações. Veja abaixo a íntegra do comunicado. “A Caixa informa que atua permanentemente em cooperação com os órgãos de segurança pública e de controle, especialmente a Polícia Federal, no combate a fraudes bancárias, estelionatos e crimes de lavagem de dinheiro. A operação deflagrada é resultado direto de investigações conduzidas pelas autoridades competentes, com as quais a empresa colabora integralmente, reiterando seu respeito às instituições e destacando a lisura, a boa-fé e a conformidade da atuação de seus dirigentes. A Caixa reitera que possui políticas rigorosas de prevenção e combate a fraudes, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, alinhadas às melhores práticas de mercado, à legislação vigente e às normas dos órgãos reguladores. Sempre que identificadas movimentações atípicas ou evidências de irregularidades, os casos são imediatamente reportados aos órgãos competentes, colaborando de forma ativa com as investigações. A Caixa reafirma seu compromisso com a integridade, a transparência e a proteção do patrimônio público, bem como com a pronta adoção de todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para responsabilização dos envolvidos e ressarcimento de eventuais prejuízos, quando aplicável. Por envolver investigação em curso, a Caixa respeita o sigilo legal do processo e reforça que eventuais esclarecimentos adicionais devem ser solicitados às autoridades responsáveis pela operação.” Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba