{"id":19200,"date":"2024-11-26T10:16:00","date_gmt":"2024-11-26T13:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redeutv.com.br\/com-mais-de-15-milhao-de-estudantes-atendidos-projeto-ler-e-pensar-comemora-25-anos\/"},"modified":"2024-11-26T10:16:00","modified_gmt":"2024-11-26T13:16:00","slug":"com-mais-de-15-milhao-de-estudantes-atendidos-projeto-ler-e-pensar-comemora-25-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redeutv.com.br\/com-mais-de-15-milhao-de-estudantes-atendidos-projeto-ler-e-pensar-comemora-25-anos\/","title":{"rendered":"Com mais de 1,5 milh\u00e3o de estudantes atendidos, projeto Ler e Pensar comemora 25 anos"},"content":{"rendered":"
Condecorado como melhor projeto de jornalismo e educa\u00e7\u00e3o do mundo pela Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Jornais em 2014, o programa Ler e Pensar, da Gazeta do Povo, completa 25 anos em 2024. Ao todo, foram cerca de 50 mil professores atendidos e mais de 1,5 milh\u00e3o de estudantes.\u201cE essa \u00e9 uma m\u00e9dia baixa\u201d, avisa a professora Ana Gabriela Sim\u00f5es Borges, que atua no projeto h\u00e1 22 anos e transformou o trabalho em sua tese de doutorado apresentada na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), em 2021.Segundo a educadora, \u201co que come\u00e7ou com jornais que sobravam nas bancas sendo enviados para escolas municipais de Curitiba se profissionalizou, passou a atender milhares de professores e hoje \u00e9 reconhecido mundialmente\u201d.Em sua disserta\u00e7\u00e3o, a doutora afirma que o projeto foi fundado em 1999 na reda\u00e7\u00e3o da Gazeta do Povo ap\u00f3s um pedido do ent\u00e3o diretor do jornal, Dr. Francisco Cunha Pereira Filho, que faleceu em 2009.\u201cNa \u00e9poca, os exemplares que n\u00e3o eram vendidos nas bancas voltavam para o jornal para serem comercializados como papel velho, e o Dr. Francisco n\u00e3o se conformava com aquilo\u201d, relata Gabriela, ao citar que os exemplares que sobravam \u2014 chamados de \u201cencalhe\u201d \u2014, come\u00e7aram a ser enviados gratuitamente para escolas p\u00fablicas da capital paranaense.A proposta era dar aos estudantes acesso \u00e0s not\u00edcias, promovendo conhecimento e incentivando o gosto pela leitura. No entanto, a doutora em educa\u00e7\u00e3o relata que a maioria dos professores na \u00e9poca usava o material apenas para fazer recortes em sala de aula, por falta de sugest\u00f5es de como as reportagens poderiam ser usadas no ensino das disciplinas.Por isso, a Gazeta do Povo decidiu contratar uma pedagoga para trabalhar na reda\u00e7\u00e3o do jornal, um ambiente de trabalho aparentemente incomum para a profiss\u00e3o. \u201cO objetivo era orientar os professores no uso do material em sala de aula, e deu certo\u201d, afirma Gabriela, ao relatar que a pedagoga produziu, com os jornalistas da equipe, o primeiro manual de instru\u00e7\u00f5es do Ler e Pensar.Esse material passou a ser entregue com os exemplares da Gazeta do Povo e norteava o trabalho dos docentes interessados em unir m\u00eddia e educa\u00e7\u00e3o. \u201cEsperamos estar oferecendo um instrumento facilitador para desenvolver projetos did\u00e1ticos criativos e envolventes\u201d, escreveu o Dr. Francisco Cunha em carta enviada aos educadores que receberam o manual, em 2001.Na mensagem, o ent\u00e3o diretor explicava que as sugest\u00f5es tinham objetivo de facilitar o uso das reportagens no ambiente escolar e que os professores poderiam contribuir com propostas. \u201cPretendemos compartilhar ideias e n\u00e3o apenas sugerir caminhos\u201d, pontuou o empres\u00e1rio. Afinal, \u201cvoc\u00ea, professor, \u00e9 quem conhece a realidade da sala de aula e da comunidade\u201d.O Ler e Pensar cresceu demais para permanecer na reda\u00e7\u00e3o da Gazeta do PovoA novidade teve grande repercuss\u00e3o e passou a atender cerca de 700 escolas que entraram em contato com a Gazeta do Povo solicitando ades\u00e3o. \u201cReceb\u00edamos tamb\u00e9m visitas dos alunos \u00e0 reda\u00e7\u00e3o, explicando o processo de produ\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o do jornal\u201d, recorda a jornalista e escritora Joanita Ramos, uma das primeiras coordenadoras do Ler e Pensar.\u201cE eram realizadas oficinais presenciais com as professoras sobre atividades a serem desenvolvidas em sala de aula\u201d, continua a escritora Marleth Silva, que desenhou o projeto inicialmente e se emocionava ao ver o resultado, principalmente na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba (RMC) e \u00e1rea rural. \u201cEram trabalhos criativos e que refletiam a vida das crian\u00e7as e suas fam\u00edlias\u201d.S\u00f3 que o projeto envolveu tantas escolas e secretarias municipais de educa\u00e7\u00e3o que precisou deixar a reda\u00e7\u00e3o da Gazeta do Povo. \u201cOs acionistas Francisco Cunha Pereira Filho e Edmundo Lemanski decidiram criar, ent\u00e3o, um instituto que concentrou as a\u00e7\u00f5es de responsabilidade social de suas empresas\u201d, relata a professora Ana Gabriela Sim\u00f5es, ao citar o Instituto RPC, inaugurado em 2001.A institui\u00e7\u00e3o, que mais tarde passou a ser chamada de Instituto GPRCOM, contava com apoio de professores e estagi\u00e1rios de cursos de Pedagogia e licenciaturas para preparar um Boletim de Leitura Orientada, chamado carinhosamente de \u201cBolo\u201d. O peri\u00f3dico (imagem abaixo) trazia planos de aula baseados em reportagens da Gazeta do Povo para incentivar o uso do jornal em todas as disciplinas.\u201cEsse material fazia com que pud\u00e9ssemos desenvolver aulas mais din\u00e2micas e contextualizadas\u201d, relata a professora de L\u00edngua Portuguesa, Janisse Mendes Cordova, que ingressou no projeto em 2009 e nunca saiu. \u201cFoi paix\u00e3o \u00e0 primeira vista\u201d, garante.Segundo a curitibana, seus alunos do 5\u00ba ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Germano Paciornik passaram a ter uma rotina de leitura di\u00e1ria das principais not\u00edcias do jornal, seguidas de debate e reflex\u00e3o. \u201cEles tinham autonomia para ler as reportagens em qualquer lugar da escola, da cancha ao parquinho, e n\u00e3o t\u00ednhamos problema de indisciplina\u201d.Depois da leitura, ela conta que os alunos preenchiam um question\u00e1rio sobre a reportagem e participavam de uma roda de conversa para apresentar o tema. \u201cE cada um escolhia uma maneira de fazer, ent\u00e3o podia falar, escrever ou dramatizar a not\u00edcia, melhorando at\u00e9 a autoestima\u201d, comemora.Uma de suas ex-alunas, por exemplo, lembra dessas aulas com carinho. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos acesso aos jornais impressos, e a professora Janisse (foto abaixo) sempre trazia atividades que despertavam nossa curiosidade para procurar as not\u00edcias e debater os assuntos\u201d, recorda Joyce Mara Meireles, hoje com 27 anos. Na \u00e9poca, ela tinha nove.Segundo a jovem, o fato de ler o jornal no gramado ou em qualquer lugar da escola era motivador, e as apresenta\u00e7\u00f5es criativas a respeito dos temas envolviam todas as crian\u00e7as. \u201cEra bem legal e acabou marcando minha forma\u00e7\u00e3o em leitura e desenvolvimento da escrita\u201d.Patrocinadores apoiaram o projeto, e professores apontaram at\u00e9 98% de aprova\u00e7\u00e3oResultados como esse passaram a ser frequentes em todo o Paran\u00e1, e o envio do material precisou ser custeado por empresas parceiras, que compravam exemplares da Gazeta do Povo a pre\u00e7o de custo para enviar \u00e0s escolas.\u201cAssim, as institui\u00e7\u00f5es de ensino deixaram de receber jornais antigos para ter material novo diariamente\u201d, conta a educadora Ana Gabriela. Entre os patrocinadores estavam a empresa norueguesa Norske Sk\u00f6g e a sueca Volvo, que apoiava o projeto pela Lei Rouanet, do Minist\u00e9rio da Cultura.As parcerias fortaleceram ainda mais o projeto Ler e Pensar que, de acordo com dados dos relat\u00f3rios enviados pelos professores em 2007, conquistou aprova\u00e7\u00e3o de 98% dos docentes em rela\u00e7\u00e3o ao objetivo de aproximar conte\u00fados jornal\u00edsticos \u00e0 realidade em sala de aula.Al\u00e9m disso, 95% dos professores disseram que os alunos melhoraram seus h\u00e1bitos de leitura. Os relat\u00f3rios foram verificados pelo curso de Gest\u00e3o da Informa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR).Ainda em 2007, o projeto bateu recorde de participantes, atingindo 39 munic\u00edpios, quase 9 mil professores e 201 mil alunos. A a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m teve o maior volume de estagi\u00e1rios registrados: 79 acad\u00eamicos de v\u00e1rios cursos de licenciatura.Nos anos seguintes, o Ler e Pensar foi vencedor do Pr\u00eamio Mundial de Jovens Leitores realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Jornais, a World Association of Newspaper (WAN), e recebeu a Men\u00e7\u00e3o Honrosa Jos\u00e9 Mindlin no Pr\u00eamioVivaleitura, realizado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura em parceria com a Biblioteca Nacional.Em 2013, foi finalista do Pr\u00eamio ODM Brasil, promovido pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em parceria com Governo Federal e, em 2014, premiado novamente pela Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Jornais (foto abaixo). Dessa vez, recebeu o \u201cYoung Reader Prize\u201d (Pr\u00eamio Jovem Leitor) como melhor Programa de Jornal e Educa\u00e7\u00e3o do Mundo em incentivo \u00e0 leitura entre jovens. A premia\u00e7\u00e3o aconteceu em Bali, na Indon\u00e9sia.O jornal impresso acabou, mas o Ler e Pensar permaneceuCom a populariza\u00e7\u00e3o da internet, no entanto, a Gazeta do Povo deixou de circular de forma impressa, encerrando o envio de exemplares \u00e0s escolas que participavam do projeto. Mesmo assim, os professores continuaram envolvidos nas a\u00e7\u00f5es, e o Ler e Pensar passou a oferecer cursos de forma\u00e7\u00e3o online para docentes.\u201cSem contar que a ida para o digital quebrou barreiras territoriais, ent\u00e3o, passamos a atender professores de todo o Brasil\u201d, aponta Ana Gabriela, ao informar que a mudan\u00e7a rendeu at\u00e9 um selo da Unesco, devido \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o do Ler e Pensar para a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica.Hoje, em 2024, o projeto atende mais de 5 mil professores em 845 munic\u00edpios do Brasil, e participantes como a professora Paulina Gessica, da Para\u00edba, garantem que a a\u00e7\u00e3o tem tudo para continuar. \u201cEsse projeto j\u00e1 me ajudou bastante, e cada vez eu fico mais encantada\u201d, diz. \u201c\u00c9 um projeto muito importante!\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"
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