Vídeo mostra bem-te-vi 'pescando' filhotes de pirarucu no Tocantins

Flagrante raro: bem-te-vi surpreende ao caçar filhotes de pirarucu em parque de Palmas Um morador de Palmas (TO) flagrou uma cena inusitada durante uma caminhada no Parque Cesamar: um bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) investindo contra um cardume de filhotes de pirarucu (Arapaima gigas) bem na superfície da água. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Foi a primeira vez que o aposentado Ederaldo Pontes presenciou esse tipo de comportamento na natureza. “O que mais me impressionou foi o fato de o bem-te-vi comer peixe. Nunca tinha visto antes. Eu estava observando os pirarucus com os filhotes e, de repente, a ave atacou”, relatou. Bem-te-vi pescador? Ave surpreende ao atacar cardume de pirarucus em parque do Tocantins Ederaldo Pontes Veja mais notícias do Terra da Gente: DE BANCÁRIA A FOTÓGRAFA: Aposentada roda o país atrás de aves raras e ganha exposição EXCLUSIVIDADE: 'Parente' de uma das plantas mais caras do mundo é descoberta no ES e já corre risco FILHOTE 'FANTASMA': Mutação genética inédita em macaco é flagrada no Ceará; VÍDEO Faz parte da dieta? Segundo o ornitólogo Fernando Igor, o comportamento é esperado. O bem-te-vi é uma espécie onívora, ou seja, possui uma alimentação bastante diversificada. “A maioria dos onívoros consome tanto alimentos de origem vegetal, como frutos e sementes, quanto animal, como insetos e minhocas. No caso do bem-te-vi, a dieta é bastante ampla. É conhecido o comportamento de pescar pequenos peixes e girinos”, explicou o especialista. Além de pequenos peixes, a ave também se alimenta de frutos, insetos, pequenas aves e roedores. Em áreas urbanas, já foi registrada consumindo ração de animais domésticos e até restos de pão. Bem-te-vi pescador? Ave surpreende ao atacar cardume de pirarucus em parque do Tocantins Ederaldo Pontes Predador de topo e cuidado parental O pirarucu é considerado um predador de topo nos ambientes aquáticos da Amazônia, onde a espécie é nativa, e também nos locais onde foi introduzido, como no estado de São Paulo e em bacias do Rio Paraná e do Nordeste. Por atingir grande porte e ter elevada massa corporal, possui poucos predadores naturais quando adulto. De acordo com o professor Jean Vitule, do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a espécie apresenta um cuidado parental intenso. Pirarucu adulto pode passar de 2 metros de comprimento manimiranda/ iNaturalist “Os predadores de topo costumam investir bastante na proteção da prole. No caso do pirarucu, os pais realizam cuidado parental dos filhotes por cerca de seis meses. Depois, os juvenis permanecem em cardumes densos, conhecidos como ‘nuvem’ de filhotes”, explicou. "É um cuidado parental intenso, porque ele constrói ninho e coloca os ovos. Depois da eclosão, o macho e a fêmea cuidam, principalmente o macho, e há momentos de incubação bucal em situações de perigo", completou o especialista. Nessa fase, os filhotes nadam próximos à superfície e costumam ficar agrupados até atingirem cerca de 50 a 60 centímetros. A partir de aproximadamente 1 metro de comprimento, eles tendem a se dispersar mais. A predação durante o período de cuidado parental é considerada reduzida, mas pode acontecer, principalmente por parte de aves aquáticas de maior porte, como os biguás — e, como visto no flagrante, por aves oportunistas como o bem-te-vi. “Se o pai está por perto, dificilmente alguém se aproxima dos filhotes, mesmo sendo pequenos. A proteção é intensa”, finalizou o professor. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente
