Carnaval 2026: oito cidades da região de Campinas adotam reconhecimento facial para reforçar segurança

14/02/2026 - 08:10  
Carnaval 2026: oito cidades da região de Campinas adotam reconhecimento facial para reforçar segurança

Viaturas estão equipadas com câmeras capazes de fazer reconhecimento facial Reprodução Oito prefeituras da região de Campinas (SP) vão adotar a tecnologia de reconhecimento facial para reforçar a segurança durante o carnaval. O sistema estará integrado ao banco de dados da Muralha Digital, que reúne informações em tempo real sobre foragidos e dados criminais. 🔎 O reconhecimento facial é uma tecnologia biométrica de inteligência artificial que identifica ou verifica a identidade de uma pessoa mapeando características faciais, como olhos, nariz, boca e contorno da mandíbula, em fotos ou vídeos. Amparo (SP) é uma das cidades que contará com o sistema de reconhecimento integrado. De acordo com a prefeitura, a tecnologia será utilizada para realizar a identificação de pessoas com mandados de prisão em aberto ou registros criminais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp A administração municipal foi questionada se a identificação de “pessoas com registros criminais” inclui quem não tem condenação ou mandado em aberto e se essas pessoas poderão ser abordadas mesmo sem pendências judiciais, e informou que toda ação de abordagem será realizada por agentes de segurança através da análise e de evidências humanas. A advogada criminalista Conselheira Estadual da OAB/SP Luanna Lance explicou ao g1 que não há nada de errado em utilizar o reconhecimento facial para identificar pessoas foragidas, com mandados de prisão em aberto. Entretanto, o entendimento muda em relação as pessoas com registros criminais e sem mandados (veja a entrevista abaixo). "Caso a prefeitura pretenda usar essa essa identificação, por exemplo, de alguém que já teve passagem para "ficar de olho nessa pessoa", eu entendo isso como ilegal [...], não é porque a pessoa já teve algum tipo de problema que ela pode cometer algum crime. Não é para isso que serve o reconhecimento", explica. Cidades que adotaram Indaiatuba (SP), Jaguariúna (SP), Monte Mor (SP), Paulínia (SP) e Pinhalzinho (SP), Valinhos (SP) e Vinhedo (SP) também vão adotar a tecnologia para a segurança durante o carnaval. As prefeituras afirmam que usarão o reconhecimento facial apenas para a identificação de pessoas com mandado de prisão em aberto — confira os posicionamentos abaixo. Indaiatuba: em nota, a Prefeitura informou que conta com câmeras de reconhecimento facial instaladas em pontos estratégicos da cidade, e o sistema segue operando normalmente durante o período de Carnaval. A administração afirma que usará "informações de indivíduos com mandado de prisão em aberto, ou seja, pessoas procuradas pela Justiça, respeitando os critérios legais e os direitos individuais". Jaguariúna: informou que utilizará câmeras equipadas com tecnologia de reconhecimento facial e programas que analisam comportamentos em tempo real, permitindo identificar movimentações suspeitas e agir rapidamente. Segundo a Prefeitura, "o indivíduo que estiver com alguma pendência judicial será reconhecido e conduzido ao plantão policial". Monte Mor: informou que a ferramenta irá auxiliar na identificação de pessoas com mandado de prisão em aberto, contribuindo para a atuação preventiva e para a proteção da população. Paulínia: em nota, a Prefeitura disse que tem as câmeras de reconhecimento facial e que, no carnaval, elas serão usadas nos espaços públicos normalmente. Pinhalzinho: em nota, a Prefeitura pontuou que as câmeras com tecnologia de reconhecimento facial serão instaladas e distribuídas estrategicamente ao longo do evento. A administração diz que o sistema será utilizado para identificação de foragidos da Justiça, mediante a existência de mandado de prisão ativo. Valinhos: em nota, a Prefeitura informou que usará as câmeras de reconhecimento facial para "captar imagens de pessoas e consultar se existe alguma irregularidade criminal". Caso haja, um alarme será enviado para a Central da GCM com a imagem captada. O objetivo é capturar pessoas com mandado de prisão a ser cumprido. Vinhedo: informou que utilizará câmeras com tecnologia de reconhecimento facial durante o Carnaval, "utilizada exclusivamente para identificar indivíduos que possuam mandado de prisão em aberto, incluindo casos de mandado por pensão alimentícia ou internação compulsória". Pessoas que não possuem pendências judiciais não são abordadas e circulam normalmente pelos locais monitorados. Outras cidades Americana (SP), Artur Nogueira (SP), Campinas (SP), Hortolândia (SP), Morungaba (SP), Mogi Guaçu (SP) e Pedreira (SP) informaram a reportagem que não irão utilizar o sistema de reconhecimento facial na segurança do carnaval. Reconhecimento facial na segurança? De acordo com a advogada Luanna Lance, não há nenhum problema constitucional em utilizar o reconhecimento facial integrado com dados criminais na segurança pública. "O reconhecimento facial digital não fere nenhum direito. Porque ele é sempre feito em lugares públicos, onde todos nós sabemos que somos suscetíveis. Não é nenhum problema constitucional, não fere nenhuma nenhum nenhum direito", diz. Luanna Lance ressalta, porém, que o sistema sozinho não deve ser realizado para levar à prisão, pois ele pode sofrer falhas no reconhecimento. Dessa forma, qualquer ação deve contar com o apoio de agentes humanos aptos a analisar cada caso. "O sistema por si só não dá base para prisão ou condenação. Você tem que bater todos os dados, os nomes, a filiação. Hoje em dia, a digital tá em todos os sistemas, então tem que bater outros elementos. O reconhecimento por si só não não tem cabimento para pessoa ser presa ou condenada por algum crime", explica. Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas