Com presença de Lula, PT lança candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo

PT lança Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo Reprodução O Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou a candidatura de Fernando Haddad ao governo do estado de São Paulo. A decisão foi tomada durante convenção que é realizada neste sábado (25), em Campinas (SP). Haddad é advogado e professor de ciência política, e vai disputar o cargo pela segunda vez. Ele já foi prefeito da cidade de São Paulo e era ministro da Fazenda até março deste ano. Entre os presentes no evento, além de Haddad, estão o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice, Geraldo Alckmin (PSB), e as pré-candidatas ao Senado Federal Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Haddad critica Tarcísio e ataca privatizações No discurso, Fernando Haddad fez críticas à gestão do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). "Qual é a disputa que a gente faz com o Tarcísio? O que é possível disputar com ele, se tudo está indo para trás e ele não é cobrado por nenhum resultado? Na segurança, na saúde e na educação, população em situação de rua. Esse que disse que acabou com a Cracolândia aumentou em 82%, segundo a Fundação Seade, como é que alguém bate no peito para falar desses indicadores?", afirmou. Agora no g1 Haddad também atacou as privatizações da Sabesp e das linhas de trem no estado. "As privatizações feitas a toque de caixa, tanto a Sabesp quanto o Metrô, CPTM entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade. E a água está faltando na torneira, quando chega, chega suja, e a conta d'água subindo todo ano, ao contrário do que ele próprio prometeu", citou. Lula diz que adversários vão usar IA para mentir Já o presidente Lula disse durante o pronunciamento que acredita que este eleição será inédita no sentido de que, segundo ele, adversários políticos usarão inteligência artificial para inventar mentiras. "Esta eleição talvez seja a primeira eleição no Brasil em que os adversários, por não terem tamanho, não terem biografia, por não terem proposta, vão fazer o uso da inteligência artificial para tentar ludibriar a boa-fé do povo de São Paulo. É importante repetir isso. Os nossos adversários vão trabalhar muito nas redes digitais, com inteligência artificial, para inventar coisas que eles não fizeram. A base da sustentação da campanha deles é uma coisa chamada mentira." Aliados marcam presença No discurso, Marina afirmou que Haddad viabilizou moradores da periferia a ingressarem em institutos federais. "É graças a você, Haddad, que nós andamos e encontramos pessoas de periferia nos institutos federais, dizendo que agora tem uma chance de sonhar, de ter uma vida melhor do que o pai e do que a mãe. Meus amigos, isso não tem preço. Eu estou aqui em legítima defesa de tudo que já fizemos, em legítima defesa do que tivemos que reconstruir, em legítima defesa do que precisamos fazer." Já Tebet criticou o discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, que atacou as urnas eletrônicas com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Nós estamos no ano de 2026 enfrentando os mesmos desafios do passado, porque o presidente Lula e Geraldo Alckmin e o Brasil enfrentam do lado de lá não um democrata, mas um golpista de plantão. Porque tal pai, tal filho. Já começou questionando a segurança das urnas, porque já sabe, já tem, sente o cheiro da derrota em outubro e já quer colocar em dúvida os resultados das urnas." PT lança Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo Marcello Carvalho/g1 Calendário de convenções As convenções são os eventos em que os filiados dos partidos se reúnem para escolher os candidatos nas eleições. A data limite é 5 de agosto. Na sequência, os nomes devem ser registrados no Tribunal Superior (TSE) até o dia 15 de agosto. A campanha eleitoral começa oficialmente no dia seguinte. Nas eleições deste ano, em 4º de outubro, os brasileiros vão votar para: presidente; governador; Senado (duas vagas por estado); deputado federal; deputado estadual; deputado distrital (apenas no texto do DF). Trajetória de Fernando Haddad Fernando Haddad filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em meados dos anos 1980. Graduado em Direito, mestre em Economia e doutor em Filosofia pela USP — onde se tornou professor de Ciência Política —, combinou a vida acadêmica com a gestão pública. No início dos anos 2000, ingressou na administração pública paulistana como subsecretário de Finanças na gestão de Marta Suplicy. Pouco depois, em Brasília, atuou como assessor especial do Ministério do Planejamento. A projeção em nível nacional ocorreu ao assumir o Ministério da Educação (MEC) durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, cargo em que permaneceu também sob a gestão de Dilma Rousseff. Ficou à frente da pasta por quase sete anos. Em 2012, estimulado por Lula, Haddad disputou e venceu a eleição para a Prefeitura de São Paulo. O mandato enfrentou forte desgaste político e episódios como as manifestações das Jornadas de Junho de 2013, o que culminou na derrota ao tentar a reeleição em 2016 ainda no primeiro turno contra João Doria. Com a prisão e inelegibilidade de Lula em 2018, Fernando Haddad assumiu a candidatura do PT à presidência da República. Em um cenário político fortemente polarizado, ele chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Jair Bolsonaro. Quatro anos depois, em 2022, disputou o governo do estado de São Paulo, mas perdeu para Tarcísio de Freitas. Em 2023, no terceiro mandato de Lula, Haddad assumiu o comando do Ministério da Fazenda, tornando-se o principal articulador da agenda econômica do governo. Permaneceu no cargo até março de 2026, quando saiu para disputar a eleição ao governo do estado de São Paulo pela segunda vez. 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