Como era esquema de fraude em licitações alvo de nova fase de operação da PF no interior de SP

12/03/2026 - 13:40  
Como era esquema de fraude em licitações alvo de nova fase de operação da PF no interior de SP

Ex-secretário de Educação de Sumaré é preso em operação da PF contra fraudes em licitações A quarta fase da operação Coffee Break, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (12), mira um suposto esquema de fraude em licitações que, segundo as investigações, funcionava desde 2021 e envolvia servidores públicos, empresários, lobistas e operadores financeiros clandestinos. A investigação aponta que o grupo manipulava processos de compra pública para beneficiar uma empresa específica e garantir contratos com valores superfaturados. Parte do dinheiro recebido dos municípios era então desviada e retornava em forma de propina a integrantes do esquema. LEIA TAMBÉM: Quem é José Marin, ex-secretário de Educação de Sumaré preso pela Polícia Federal nesta quinta Secretária de finanças de Itu é alvo de operação da PF contra fraudes em licitações públicas A seguir, veja como funcionava o ciclo da fraude, segundo a Polícia Federal: 1️⃣ Contato com agentes públicos De acordo com os investigadores, o empresário André Mariano, proprietário da empresa Life Tecnologia Educacional, fazia a articulação inicial do esquema. Segundo a PF, ele fazia contato com secretários de educação e servidores de municípios interessados em contratar produtos como kits de robótica, livros paradidáticos e licenças de tecnologia. Entre os investigados está o ex-secretário de Educação de Sumaré (SP), José Aparecido Ribeiro Marin, preso nesta quinta-feira. A suspeita é de que ele atuava como parceiro do empresário no direcionamento de contratos e na liberação de pagamentos em troca de propina. Ao g1, a defesa de Marin afirmou que ainda não teve acesso aos autos e que o ex-secretário "cumpria rigorosamente medidas cautelares alternativas". Leia a nota na íntegra abaixo. Ex-secretário de Educação de Sumaré, José Marin Câmara de Sumaré/Divulgação 2️⃣ Licitações direcionadas Depois da aproximação com os gestores públicos, o esquema passava à etapa de manipulação dos processos licitatórios. A investigação aponta que os editais e termos técnicos eram elaborados para restringir a concorrência. As especificações dos produtos e serviços eram desenhadas para que apenas itens comercializados pela Life Tecnologia Educacional pudessem atender às exigências. 3️⃣ Contratos superfaturados Com a empresa vencedora das licitações, os contratos eram firmados com valores muito acima do custo real dos produtos. Segundo a Polícia Federal, o sobrepreço praticado pela Life chegava a até 35 vezes o preço de aquisição dos itens comercializados. Os pagamentos eram feitos pelas prefeituras contratantes. 4️⃣ Transferência de dinheiro para empresas de fachada Após receber os recursos públicos, a empresa direcionava parte dos valores para empresas de fachada. De acordo com a investigação, muitas dessas empresas eram controladas por operadores financeiros clandestinos, conhecidos como “doleiros”. Em janeiro, em outra fase da operação, PF apreendeu 11 armas de fogo e cerca de 400 munições que pertenciam a Marin; defesa diz que todas eram regularizadas Polícia Federal/Divulgação 5️⃣ Lavagem de dinheiro Os doleiros usavam diferentes estratégias para dar aparência de legalidade ao dinheiro. Entre os métodos citados na investigação estão: pagamento fracionado de boletos; e uso de empresas de prateleira (ou seja, já constituídas, mas que não tinham qualquer atividade). Essas operações permitiam transformar os recursos desviados em dinheiro em espécie. 6️⃣ Pagamento de propina Depois de lavado, o dinheiro era usado para pagar propina a servidores públicos e lobistas envolvidos no esquema. Segundo a Polícia Federal, o empresário André Mariano se referia a esses pagamentos usando a palavra “café” como código. O termo deu origem ao nome da operação, Coffee Break. Valores sob suspeita A investigação identificou que a empresa Life Tecnologia Educacional registrou entrada de R$ 128 milhões por meio de mais de 305 transferências. De acordo com a Polícia Federal, quase todas essas movimentações tiveram origem em pagamentos feitos por prefeituras. Investigação A fase da operação deflagrada nesta quinta-feira cumpriu: 10 mandados de busca e apreensão um mandado de prisão preventiva uma medida de monitoramento com tornozeleira eletrônica A Justiça também autorizou o afastamento de servidores dos respectivos cargos e o bloqueio de bens dos investigados. As ações ocorreram nas cidades de Sumaré, Itu (SP), Campinas (SP), Jundiaí (SP) e Americana (SP). Quem é quem: veja a relação de investigados desde a 1ª fase Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por corrupção, desvio de dinheiro público, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a até 60 anos de prisão, dependendo da participação de cada um no esquema. PF faz operação contra suspeita de fraudes em licitações da Educação de Sumaré Polícia Federal/Divulgação O que dizem os citados José Aparecido Ribeiro Marin "Quanto à deflagração da 4ª Fase da Operação Coffee Break da Polícia Federal de Campinas-SP ocorrida na data de hoje, os advogados Danilo Campagnollo Bueno e José Sérgio do Nascimento Júnior, do escritório Campagnollo Bueno & Nascimento advogados, Defensores constituídos de José Aparecido Ribeiro Marin, esclarecem que ainda não tiveram acesso aos autos da nova investigação que culminaram com sua prisão preventiva. A defesa se mostra surpresa com a decretação da prisão. Marin cumpria rigorosamente medidas cautelares alternativas impostas pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, inclusive com tornozeleira eletrônica, em substituição à prisão preventiva anteriormente decretada contra ele pela Justiça Federal de Campinas-SP nessa mesma Operação. A Defesa reafirma sua confiança na atuação técnica das autoridades e permanece à disposição para os esclarecimentos necessários tão logo tenha acesso completo aos autos". Prefeitura de Sumaré "A Prefeitura de Sumaré informa que tomou conhecimento da operação realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (12), relacionada à apuração de contratos da educação firmados em gestões anteriores. A Administração Municipal esclarece que os fatos investigados dizem respeito a procedimentos e contratos celebrados em períodos passados, não vinculados à atual gestão da Secretaria Municipal de Educação. A Prefeitura de Sumaré e a Secretaria Municipal de Educação reiteram que estão totalmente à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e fornecer todas as informações necessárias para o pleno esclarecimento dos fatos. Por fim, a Administração Municipal destaca que não houve qualquer apreensão ou diligência realizada nas dependências da Secretaria Municipal de Educação nesta quinta-feira (12)". VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas