Doador de medula na Alemanha ajuda a salvar menino de 9 anos com doença rara no Paraná: ‘Um irmão alemão’

Menino de Curitiba encontra doador de medula na Alemanha e ganha nova chance de vida “Um irmão alemão”. É assim que Arthur Barão Massan, de 9 anos, chama Florian Weiand, o jovem de 23 anos que doou a medula óssea que ajudou a salvar sua vida. Da Alemanha, onde mora, Florian foi parte de uma corrente internacional que permitiu que hoje Arthur tenha uma rotina saudável a um oceano de distância, em Curitiba. “Arthur é um milagre. É uma prova de que as ações do bem não têm fronteiras”, define Tathiane Barão, mãe do menino. A história que juntou Arthur e Florian começou em agosto de 2023, quando o menino brasileiro recebeu o diagnóstico de anemia de Fanconi. 🧬A anemia de Fanconi é uma síndrome genética. Essas alterações nos genes fazem com que, ao longo da vida, a medula deixe de produzir o sangue como deveria. ✅ Siga o canal do g1 Paraná no WhatsApp "Com isso, precisamos substituir essa medula doente por uma medula de um doador saudável”, explica a médica Cilmara Kuwahara. Após o diagnóstico, começou a busca da família por um doador compatível. Uma busca que terminou no final de 2023, graças a uma decisão tomada pelo jovem alemão Florian. Arthur, de 9 anos, recebeu a doação de medula de Florian, de 23, que mora a mais de 10 mil quilômetros de distância. RPC TV Em 2019, ele decidiu se cadastrar no registro de doadores de medula óssea depois de receber um convite de amigos. Quatro anos depois, ele recebeu uma ligação. “Eu estava no carro, voltando para casa depois do trabalho, quando a pessoa no telefone me disse que havia uma compatibilidade com o meu tipo de tecido. Então, perguntaram se eu estaria disposto a doar minha medula óssea. E eu imediatamente disse que sim”, contou Florian. Em 2024, a medula de Florian saiu da Alemanha e chegou ao Brasil em menos de 24 horas. O procedimento foi um sucesso. Hoje, as consultas de Arthur no hospital são apenas para acompanhar seu estado de saúde. Luiz Fernando Massan, pai do menino, conta que ficou comovido com o desfecho da história. “Eu sempre acreditei em milagres, mas eu nunca pensei em vivenciar um milagre", diz. Doação de medula vinda da Alemanha chegou a Curitiba em menos de 24h. RPC TV Famílias se falam pela primeira vez desde o transplante O contato entre as duas famílias só aconteceu dois anos depois do transplante. Em 5 de maio de 2026, Florian estava no escritório, na Alemanha, quando recebeu um e-mail com um nome brasileiro. Era Tathiane, mãe de Arthur. Na mensagem, ela falou sobre o filho e agradeceu a doação. Florian conta que ficou emocionado e passou horas tentando escrever uma resposta. “Foi uma sensação incrível saber que eu pude ajudar um menino, em algum lugar deste mundo tão grande, a viver a vida dele. E eu tenho muito orgulho porque Arthur nunca parou de sonhar. Ele lutou para viver essa vida e agora ele pode vivê-la”, contou. Para a equipe médica que acompanhou Arthur, a história mostra a importância do cadastro de doadores de medula óssea. Leia abaixo como ser doador. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Paraná (SESA), em 2025 foram realizados 294 transplantes de medula no Paraná, considerando os três tipos de doação: aparentada, autóloga — quando o paciente recebe as próprias células — e não aparentada. Em 2026, de janeiro a agosto, foram realizados 267 transplantes de medula no estado. “Nós dependemos disso. A vida dos nossos pacientes também depende desse ato de amor e compaixão que uma outra pessoa, lá do outro lado do mundo, sem conhecer a história do Arthur, foi capaz de fazer”, afirma a médica Cilmara Kuwahara. Arthur e Florian agora esperam pelo dia em que poderão se encontrar pessoalmente. O plano é simples: “Arthur e a família dele agora fazem parte de mim e da minha família. Esperamos que um dia possamos nos encontrar pessoalmente, dar um abraço bem apertado um no outro e celebrar a vida. E depois disso, acho que vamos jogar cartas de Pokémon”, disse Florian. Como ser doador De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde do Paraná, para se cadastrar como doador voluntário de medula no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), basta procurar uma unidade do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), ter entre 18 e 35 anos, não ter doenças impeditivas (como HIV, hepatites B e C ou doenças autoimunes) e apresentar documento oficial com foto. São colhidos apenas 5 ml de sangue para o teste de compatibilidade genética. Consultas de Arthur agora são apenas para acompanhamento. RPC TV VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná . Leia mais notícias no g1 Paraná.