Fraudes bancárias: entenda o que levou à soltura dos alvos da Operação Fallax

01/04/2026 - 19:40  
Fraudes bancárias: entenda o que levou à soltura dos alvos da Operação Fallax

Alvo apontado como chefe do esquema de fraudes bancárias se entrega à PF, em Piracicaba Crime sem violência e ausência de indicativos de fuga estão entre as justificativas apresentadas pela Justiça para liberar os alvos da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 25 de março para combater um esquema de fraudes bancárias milionárias. A decisão foi tomada pela juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, nesta terça-feira (31). Dos 18 que foram presos na semana passada, 16 já tiveram liberdade concedida, segundo a determinação judicial. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Os outros dois — Pedro Guilherme Gosmim e Luiz Guilherme da Silva Fermino, ambos de Americana (SP) — tiveram prisão mantida, pois, segundo a Justiça, teriam ameaçado uma tentativa de fuga no momento do cumprimento dos mandados judiciais. Eles estavam em Angra dos Reis (RJ) quando foram detidos. Leia também: De gerentes a falsificadores: saiba quem é quem no esquema de fraudes bancárias Suspeitos usaram até mãe e filha como 'laranjas', aponta PF Polícia apura relação de investigador de Americana com chefe de esquema Vida de luxo e festa com famosos: quem é o principal alvo da operação Quem são os três alvos da Operação Fallax que seguem foragidos Nesta quarta, Maria Isabel concedeu liberdade provisória a 15 investigados, entre eles Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, conhecido como Ralado, apontado como chefe do esquema. Ele não foi encontrado em sua casa num primeiro momento, mas depois se apresentou na delegacia da PF em Piracicaba (SP). Outro suspeito, Rodrigo Nagao Schissatti, já tinha conseguido liberdade no dia 27, por meio de um habeas corpus ingressado no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Quem foi solto? Sarah, Rivaldo e Paulo tinham sido presos em Limeira (SP) e Americana (SP) Reprodução Alexander Amorim de Almeida, de São Paulo (SP) André Eduardo Brito Monteiro, o Deco, de São Paulo (SP) Andressa Alves do Prado, de São Paulo (SP) Bruno Carvalho de Oliveira, de São Bernardo do Campo (SP) Débora de Souza Garcia, de São Bernardo do Campo (SP) Glaucia Juliana Iglesias de Azevedo, de Americana (SP) Juliana Ramos Destacio, de Osasco (SP) Julio Ricardo Iglesias, de Santa Bárbara d’Oeste (SP) Karla Regina Martins Secundo, de São Paulo (SP) Paulo Junior Ferraz, de Limeira (SP) Raphael Abrantes do Lago, de São Paulo (SP) Rivaldo José de Oliveira Zumbaio, de Americana (SP) Rodrigo Nagao Schissatti, de São Paulo (SP) Sarah Tais Barbosa, de Limeira (SP) Thiago Branco de Azevedo, o Ralado, de Americana (SP) Wagner Siscaro, de São Paulo (SP) “Diante do efetivo cumprimento proveitoso das medidas cautelares de busca e apreensão e sequestro de bens, o risco à instrução criminal antes ocasionado pela liberdade de atuação dos demais investigados resta amenizado. Bem ainda, não constam dos relatórios policiais indicativos de fuga, resistência à prisão ou tentativa de evasão por partes desses investigados”, escreveu Maria Izabel. Ela apontou, ainda, que o suposto crime foi praticado sem violência ou grave ameaça e que não há apontamentos sobre antecedentes criminais. Em compensação, os suspeitos deverão cumprir medidas cautelares como comparecer em juízo mensalmente e entregar o passaporte à Justiça. Também estão proibidos de ter qualquer contato com os demais investigados, trocar de endereço sem autorização judicial e operar contas bancárias em nome de terceiros. A juíza também determinou a suspensão das atividades empresariais dos investigados e o afastamento dos suspeitos que trabalham na Caixa Econômica Federal — é o caso de Alexander Amorim de Almeida e Rodrigo Nagao, que são gerentes da instituição bancária. Ao todo, havia 21 mandados de prisão para serem cumpridos na Operação Fallax. Três alvos seguiam foragidos até a decisão desta terça: Ariovaldo Alves de Assis Negreiro Junior, de Osasco (SP); Igor Gustavo Martins Avela, de São Paulo (SP); e Carlos Ramiro Rodrigues, de Rio Claro (SP). O que dizem as defesas Julio Ricado Iglesias Oriolo, suspeito de participação em esquema de fraudes bancárias Victor Hugo/EPTV Oseias Rodrigues do Carmo, advogado de Alexander Amorim de Almeida: “Em razão de o processo envolver muitas pessoas, estamos tomando conhecimento de todos os fatos para apresentar uma defesa adequada ao processo. De princípio, posso afirmar que nosso cliente demonstrará no decorrer do processo sua inocência, contudo contribuirá no que for possível e na medida do que lhe for solicitado pela Justiça.” Rafael dos Santos Patricio, advogado de Débora de Souza Garcia: "Em virtude do segredo de Justiça que recai sobre a investigação, a defesa está legalmente impedida de comentar detalhes ou mérito do caso neste momento. Reiteramos nossa total confiança na Justiça e no completo esclarecimento dos fatos. Ressaltamos que a liberdade de nossa cliente, representa uma medida de mais pura e lídima Justiça. A defesa seguirá atuando de forma técnica e serena para provar a sua inocência." Paulo Sarmento, advogado de Bruno Carvalho de Oliveira: “A decisão da magistrada foi acertada, não havendo nenhuma necessidade em manter nosso cliente segregado. As medidas alternativas determinadas pela juíza são suficientes para garantir o prosseguimento do processo e permitem ao nosso cliente a possibilidade de demonstrar sua inocência.” Henrique Novais, advogado de Juliana Ramos Destacio: “Apesar do grande respeito que temos pela Polícia Federal e pelos procuradores, entendemos que são acusações infundadas e bem divergentes da realidade, e isso ficará claro com o deslinde do processo. Em relação à soltura, já havíamos impetrado um HC (Habeas Corpus), o qual obtivemos êxito, então já era algo em que estávamos trabalhando e estávamos esperando. Recebemos com satisfação”. Debora Candida da Silva, advogada de Karla Regina Martins Secundo: “A defesa vem a público esclarecer que a investigada foi alvo de uma medida de prisão que, embora tenha sido cumprida, já foi devidamente revista pelas autoridades competentes, resultando na sua colocação em liberdade. Desde o início, a defesa sustenta a inexistência de fundamentos que justifiquem qualquer restrição à liberdade da investigada, que sempre esteve à disposição para colaborar com as investigações. Ressaltamos que o caso ainda se encontra em fase de apuração, sendo prematuro qualquer julgamento ou conclusão acerca dos fatos. A Constituição Federal assegura a presunção de inocência, princípio que deve ser respeitado por todos. A defesa confia plenamente que, ao final das investigações, a verdade será restabelecida e a inocência da investigada será devidamente reconhecida. Por fim, reiteramos o compromisso com a Justiça e informamos que todas as medidas legais cabíveis estão sendo adotadas para garantir os direitos da nossa cliente.” Josimary Rocha de Vilhena, advogada de Rodrigo Nagao Schissatti: “Reiteramos nosso profundo respeito pelo papel da imprensa e pela relevante missão que desempenha na garantia do direito à informação. Esclarecemos, contudo, que o presente procedimento tramita sob segredo de Justiça, razão pela qual as manifestações da defesa ocorrem exclusivamente nos autos, em estrita observância às determinações legais. Ressaltamos, por fim, que o Sr. Rodrigo Nagao Schissatti reafirma sua inocência e, no momento oportuno, se pronunciará pessoalmente, oferecendo todos os esclarecimentos necessários à imprensa e à sociedade.” O g1 também falou com a defesa de Raphael Abrantes do Lago, mas ainda aguarda um retorno com as respectivas manifestações. As defesas de Débora de Souza Garcia e Julio Ricardo Iglesias, por outro lado, já avisaram que não vão se manifestar sobre o assunto. O g1 ainda não conseguiu localizar os advogados dos outros suspeitos Como era o esquema Operação mira fraudes bancárias com prejuízo de até R$ 500 milhões Segundo as investigações, a organização praticava fraudes bancárias mediante o uso de empresas de fachada, “laranjas” e cooptação de agentes do sistema financeiro. Pessoas eram pagas com importâncias consideradas “ínfimas”, como R$ 150 e R$ 200, para emprestar o nome. Gerentes de banco também recebiam “comissões” como pagamento por participarem do esquema. Conforme apurou a PF, o grupo abriu múltiplas contas bancárias e celebrou contratos de empréstimo milionários. Já foram identificadas movimentações de, pelo menos, R$ 47 milhões. Mas a expectativa é que as fraudes investigadas possam alcançar valores superiores a R$ 500 milhões. Apontado como chefe do esquema, Thiago Branco de Azevedo seria responsável pela coordenação das frentes de atuação, o que inclui captação de “laranjas”, constituição de pessoas jurídicas, contato com gerentes bancários e orientação quanto à produção de documentos utilizados nas operações de crédito. O esquema tinha quatro núcleos. Um deles, o bancário, reunia gerentes de instituições financeiras, entre eles gerentes da Caixa Econômica Federal. Os núcleos estava divididos da seguinte forma: Bancário: responsável pela viabilização de abertura de contas, concessão de crédito e fornecimento de informações internas. Contábil: atuava na elaboração de documentos para pedidos de crédito, como declarações fiscais, demonstrações contábeis, comprovantes de endereço. Financeiro: fazia a gestão de contas bancárias em nome de “laranjas”, emissão e pagamento de boletos, controle de máquinas de cartão e a realização de transferências. Cooptação: responsável por cooptar potenciais "laranjas", ou seja, identificava e aliciava pessoas para figurarem como sócios de empresas. O que diz a Caixa Em nota, a Caixa afirmou colaborar com as investigações. Veja abaixo a íntegra do comunicado. “A Caixa informa que atua permanentemente em cooperação com os órgãos de segurança pública e de controle, especialmente a Polícia Federal, no combate a fraudes bancárias, estelionatos e crimes de lavagem de dinheiro. A operação deflagrada é resultado direto de investigações conduzidas pelas autoridades competentes, com as quais a empresa colabora integralmente, reiterando seu respeito às instituições e destacando a lisura, a boa-fé e a conformidade da atuação de seus dirigentes. A Caixa reitera que possui políticas rigorosas de prevenção e combate a fraudes, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, alinhadas às melhores práticas de mercado, à legislação vigente e às normas dos órgãos reguladores. Sempre que identificadas movimentações atípicas ou evidências de irregularidades, os casos são imediatamente reportados aos órgãos competentes, colaborando de forma ativa com as investigações. A Caixa reafirma seu compromisso com a integridade, a transparência e a proteção do patrimônio público, bem como com a pronta adoção de todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para responsabilização dos envolvidos e ressarcimento de eventuais prejuízos, quando aplicável. Por envolver investigação em curso, a Caixa respeita o sigilo legal do processo e reforça que eventuais esclarecimentos adicionais devem ser solicitados às autoridades responsáveis pela operação.” VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba