Fresno explica 'Carta de Adeus' e diz que título do álbum foi pensado para provocar fãs

Guerra (E), Lucas (C) e Vavo (D) lançam o 11º álbum da carreira da Fresno Camila Cornelsen/Divulgação Com 25 anos de carreira, a banda Fresno retornou à Campinas (SP) no último sábado (25) com a turnê "Carta de Adeus". Em entrevista ao g1, o vocalista Lucas Silveira, o guitarrista Gustavo Mantovani e o baterista Thiago Guerra explicaram que o título do novo álbum gerou burburinho entre os fãs, mas a intenção era exatamente provocar essa reação. "Uma coisa que assombra muito o nosso fã é um dia a Fresno não existir mais e a gente ter, entre aspas, brincado com isso com o nome do álbum. [...] Teve, sim, essa intenção de ser um nome que causasse um friozinho ali", contou Lucas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp O conceito do disco também envolveu uma ação interativa. A banda criou uma página na internet para que o público enviasse suas próprias "cartas de adeus". Segundo os músicos, o objetivo não era que as mensagens fossem lidas por alguém, mas, sim, proporcionar aos fãs um espaço de desabafo. "Não é exatamente uma mensagem com destino. [...] A maioria das pessoas estava só escrevendo uma coisa que talvez precisasse ser escrita. Isso foi muito massa, porque vai gerando uma comoção de muita gente em muitos lugares", explicou o vocalista. Composições e 'retalhos' De acordo com o grupo, o processo de criação da Fresno foge da estrutura tradicional. Lucas revelou que muitas faixas nascem da junção de pequenos pedaços de melodias e letras guardadas há anos em seu computador. "Muitas músicas nossas são junções desses pedaços e não seguem exatamente uma fórmula de música pop, com verso e refrão bem definidos. [...] Fica louco tu achar que está falando sobre a mesma coisa, às vezes tendo vivido duas vidas muito distantes. Mas, no fundo, é natural que, mesmo com um distanciamento bizarro de tempo, tu estejas falando sobre a mesma coisa", refletiu. Anteriormente, a banda já havia resgatado arquivos antigos no projeto "Inventário", que lançou 20 músicas a partir de "embriões" acumulados por mais de uma década. Conexão emocional Para os integrantes, o sucesso está ligado à coragem de falar abertamente sobre sentimentos. O vocalista avalia que, no início da carreira, era comum haver vergonha em expor vulnerabilidades, algo que a banda superou cedo. Hoje, os temas amadureceram junto com os integrantes, mas a essência das composições continua a mesma. "Os fãs dizem normalmente que a banda fala por eles de alguma forma. Não que seja uma pretensão nossa, mas acho que nenhuma experiência é totalmente pessoal. A gente acaba falando por outras pessoas justamente por não tentar mascarar ou criptografar os sentimentos", afirmou. A banda, que tem quase três décadas de estrada, acompanhou diversas mudanças na indústria fonográfica, desde a compra de faixas digitais até a consolidação dos aplicativos de streaming, como o Spotify. Atualmente, os músicos observam uma nova transição no comportamento do público mais jovem, impulsionada por redes sociais. "Acredito que a molecada que não é profundamente interessada por música talvez não esteja mais usando a plataforma de streaming. Estão ouvindo só pedacinhos de música através do TikTok. Não sei se essa pessoa vai gostar do trecho e depois procurar a música ou o álbum inteiro para ouvir", ponderou Lucas. Dinâmica do show Fresno: 'Um compositor consegue fazer música sobre qualquer coisa que conhece e entende' Para a turnê "Carta de Adeus", a Fresno adotou uma estrutura diferente. Em apresentações exclusivas da banda, como a que ocorreu em Campinas, o repertório é dividido em duas partes: Primeiro ato: a banda toca o novo álbum na íntegra; Segundo ato: um desfile dos grandes sucessos da carreira, totalizando cerca de duas horas de show. A inspiração para esse formato veio de uma experiência de Lucas em um show da banda britânica Simply Red. Ele percebeu que a expectativa gerada antes de tocarem os sucessos clássicos tornava o momento ainda mais especial. "O fã sabe que é a turnê 'Carta de Adeus', então ele ouve o disco novo para cantar tudo. Mas depois, em contraste, quando chegam as músicas que marcaram a vida dessas pessoas, o impacto é muito maior. Vira um culto, um negócio muito animalesco. A gente quase não canta nessa parte, vira só diversão", relatou. *Estagiária sob supervisão de Bárbara Camilotti. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas