Impostos chegam a superar 77% do valor de presentes de Natal

Impostos chegam a superar 77% do valor de presentes de Natal

Perfumes e maquiagens importados lideram ranking de tributação, com mais de 70% do preço final destinado aos cofres públicos

Com a chegada do Natal — principal data do calendário para o varejo brasileiro — os consumidores encontram um peso extra no orçamento: a elevada carga tributária embutida nos preços dos presentes. Levantamento elaborado pelo advogado tributarista Samir Nemer, com base em dados do Impostômetro, revela que, em alguns casos, os impostos representam mais de 77% do valor pago pelo consumidor.

Os perfumes importados lideram o ranking, com 77,43% do preço final correspondendo a tributos. Em seguida aparecem as maquiagens importadas, com carga de 71,43%, e os perfumes nacionais, que têm 66,18% do valor destinado aos cofres públicos. Também figuram entre os produtos mais tributados itens tecnológicos e de vestuário importados, como tênis (65,71%), iPads (63,18%) e smartphones (62,46%).

“Em períodos como o Natal, o consumidor costuma observar apenas o preço final, sem perceber que uma parcela significativa desse valor corresponde a impostos acumulados ao longo da cadeia produtiva e comercial, especialmente no caso dos produtos importados”, explica Samir Nemer, sócio do escritório FurtadoNemer Advogados e mestre em Direito Tributário.

Segundo o advogado, a diferença de tributação entre produtos nacionais e importados é expressiva e pode influenciar diretamente a decisão de compra. “Enquanto um perfume importado carrega mais de 77% de tributos, produtos similares fabricados no Brasil, apesar de também serem bastante onerados, tendem a ter carga menor. Optar pelo produto nacional pode representar uma economia relevante para as famílias”, afirma.

Mesmo diante da alta tributação, a expectativa é de um Natal aquecido em todo o país. Pesquisa de Intenção de Compras para o Natal 2025, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil, estima que a data deve movimentar cerca de R$ 84,9 bilhões na economia brasileira. De acordo com o levantamento, 76% dos consumidores pretendem comprar ao menos um presente, com tíquete médio estimado em R$ 174 e média de quatro itens por consumidor.

No Espírito Santo, o cenário também é positivo. Dados do Connect Fecomércio-ES, com base em informações da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e do IBGE, apontam que o Natal deve gerar R$ 1,57 bilhão em vendas no comércio capixaba apenas na semana da data, crescimento de 3,4% em relação a 2024. Ao longo de todo o mês de dezembro, a expectativa é de que o volume de vendas alcance R$ 9,4 bilhões no estado.

Os segmentos de hipermercados, supermercados, vestuário e calçados devem concentrar cerca de 75% da movimentação econômica prevista — justamente categorias que também apresentam elevada carga tributária. No caso das roupas, os impostos chegam a 34,58%. Calçados nacionais têm tributação de 36,02%, enquanto brinquedos, como carrinhos e bonecas, alcançam 39,52%.

Para Samir Nemer, o cenário reforça a importância do planejamento financeiro. “Mesmo em um ambiente de maior aquecimento da economia, o peso dos impostos é significativo. Conhecer a carga tributária ajuda o consumidor a comparar preços, avaliar alternativas e fazer escolhas mais conscientes, especialmente em um período de maior volume de gastos”, analisa.

O advogado também destaca a relevância da transparência tributária. “Quando o consumidor entende quanto está pagando em impostos, ele exerce melhor sua cidadania fiscal e passa a cobrar do Estado a contrapartida em serviços públicos essenciais. A educação tributária é fundamental para amadurecer esse debate no país”, conclui.

Ranking dos principais presentes e carga tributária:

Perfume importado: 77,43%

Maquiagem importada: 71,43%

Perfume nacional: 66,18%

Tênis importado: 65,71%

Vinho importado: 64,57%

iPad importado: 63,18%

Smartphone importado: 62,46%

Maquiagem nacional: 53,17%

Cosméticos: 52,69%

PlayStation: 51,46%

iPad nacional: 47,90%

Relógio: 47,41%

Vinho nacional: 45,56%

Óculos de sol: 43,91%

Bijuterias: 42,43%

Brinquedos (carrinho, boneca e similares): 39,52%

Chocolate: 38,25%

Sapato: 36,26%

Tênis nacional: 36,02%

Bermuda e camisa: 34,58%

Chinelo: 31,09%

Fonte: Levantamento do advogado Samir Nemer com base no Impostômetro.

Dados de intenção de compra: Connect Fecomércio-ES e CNDL.

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