Moraes decreta prisão domiciliar de major do ES condenado por tentativa de golpe
Condenado a 17 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado, o major da reserva do Exército Angelo Denicoli, morador de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, passou a cumprir prisão domiciliar por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi assinada na sexta-feira (26) pelo ministro Alexandre de Moraes e inclui uma série de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Apontado como integrante do chamado Núcleo 4, responsável pela propagação de informações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro, Denicoli foi um dos alvos da Polícia Federal neste sábado (27). A ação cumpre ordem do ministro Alexandre de Moraes e alcança outros nove condenados no mesmo processo, todos incluídos no regime de prisão domiciliar.
Ao fundamentar a decisão, o ministro destacou a necessidade de evitar novas fugas entre os réus condenados. Moraes citou episódios recentes envolvendo outros investigados, como Alexandre Ramagem, que permanece clandestinamente nos Estados Unidos, e Silvinei Vasques, preso no Aeroporto de Assunção, no Paraguai, após tentar fugir para El Salvador usando documentos falsos depois de romper a tornozeleira eletrônica.
Além da prisão domiciliar, a decisão judicial impõe restrições severas ao major capixaba, entre elas a entrega de passaportes, a proibição total de acesso a redes sociais, a vedação de visitas e a suspensão de registros de armas de fogo. O descumprimento de qualquer uma das medidas acarretará a revogação imediata do benefício e a decretação de prisão preventiva em unidade prisional.
Segundo a Polícia Federal, as ordens judiciais estão sendo executadas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia, Tocantins e no Distrito Federal, com apoio do Exército Brasileiro em parte das diligências.
Atuação no núcleo de desinformação
De acordo com o ministro Alexandre de Moraes, Angelo Denicoli mantinha vínculo permanente com outros integrantes da organização criminosa investigada. O relator do processo afirmou que ficou comprovada a participação do major da reserva na chamada “Abin Paralela”.
Ainda segundo a decisão, Denicoli atuou como elo entre membros do grupo e o influenciador argentino Fernando Cerimedo, responsável por uma transmissão ao vivo realizada em novembro de 2022. Na ocasião, Cerimedo anunciou um suposto dossiê com alegações de fraude nas urnas eletrônicas, material que, conforme o STF, foi fornecido por Denicoli e usado na disseminação da narrativa falsa.