Morre Luis Fernando Veríssimo, mestre do humor e da crônica brasileira, aos 88 anos
O Brasil perdeu, neste sábado (30), um de seus maiores escritores contemporâneos. Luis Fernando Veríssimo, cronista, romancista, tradutor e um dos mestres do humor nacional, morreu aos 88 anos em Porto Alegre (RS). Ele estava internado desde o dia 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento, em decorrência de complicações de uma pneumonia.
A notícia provocou forte comoção em todo o país. Diversos artistas, escritores e personalidades se manifestaram nas redes sociais. A atriz Fernanda Montenegro definiu Veríssimo como “um farol de lucidez e leveza na literatura brasileira”. Já o músico Chico Buarque lembrou que o escritor foi “um cronista da alma brasileira, que soube rir de nós mesmos sem nunca perder a ternura”. O também escritor Mario Prata destacou a generosidade do colega: “Ele nos ensinou que o humor é, acima de tudo, humanidade”.
Legado de um cronista popular
Filho do também escritor Erico Verissimo, Luis Fernando construiu uma obra marcada pela leveza e pelo olhar irônico sobre o cotidiano. Com estilo direto e acessível, foi capaz de transformar situações corriqueiras em literatura de alta qualidade, conquistando leitores de todas as idades.
Entre suas obras mais conhecidas estão “O Analista de Bagé”, clássico do humor brasileiro publicado em 1981; “As Mentiras que os Homens Contam” (2000), coletânea de crônicas; e a série “Comédias da Vida Privada”, que virou sucesso de televisão na década de 1990. Além dos livros, suas crônicas publicadas em jornais de circulação nacional marcaram gerações e ajudaram a consolidar seu nome como um dos mais queridos cronistas do país.
Veríssimo também foi músico e cartunista, ampliando sua contribuição cultural. Sua escrita, no entanto, é considerada o centro de sua herança, sempre pautada pela ironia fina, pelo humor inteligente e pela crítica social sem perder a leveza.
Repercussão nacional
A morte do escritor foi lamentada por instituições culturais, editoras e pelo meio acadêmico. A Academia Brasileira de Letras publicou nota de pesar, classificando-o como “um dos maiores cronistas da língua portuguesa”. Leitores também inundaram as redes com trechos de suas crônicas e lembranças pessoais ligadas às obras.
Luis Fernando Veríssimo deixa esposa, filhos, netos e uma obra vasta que permanece viva no imaginário brasileiro. Seu legado é o de um escritor que soube fazer rir, pensar e emocionar – transformando o simples cotidiano em literatura universal.