O assassinato de Charlie Kirk e o avanço do ódio político

O assassinato de Charlie Kirk e o avanço do ódio político

O assassinato de Charlie Kirk e o avanço do ódio políticoO assassinato de Charlie Kirk diz muito sobre a época em que vivemos. Jesus, em Mateus 24.10-13, já advertia que a proliferação da maldade faria esfriar o amor de muitos. Hoje, esse cenário se revela em nossa incapacidade de dialogar com quem pensa diferente e em uma cultura que normaliza o ódio e a violência.

Vivemos em um mundo que mata — literalmente — quem discorda de nós. O respeito à sacralidade da vida foi relativizado, e o outro, antes visto como próximo, tornou-se alvo de desprezo e até de anulação. Como lembra o Sermão do Monte, odiar em nosso coração já nos torna assassinos.

O pecado do sectarismo

Charlie Kirk ódio
Gutierres Siqueira diz que o sectarismo faz com que adversários deixem de ser enxergados como seres humanos

O teólogo Gutierres Siqueira recorda que assassinatos já foram cometidos em nome de ideologias políticas de todos os espectros. O que leva alguém a matar por política? A resposta, segundo ele, está na desumanização: quando o adversário deixa de ser enxergado como ser humano.

Ele observa que, para o sectário, o opositor nunca pode ter convicções legítimas. Suas intenções sempre são vistas como desonestas ou malignas. Essa lógica impede qualquer possibilidade de diálogo e transforma a política em terreno de inimizades absolutas.

Idolatria mortal

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Carlos Bezerra Jr. : “discordar é legítimo, mas a vida humana é sagrada”

Na mesma direção, o pastor Carlos Bezerra Jr. destaca que discordar é legítimo, mas atentar contra a vida jamais. “A vida humana é sagrada”, defende. Ele alerta que cada agressão, humilhação ou risada diante da dor alheia reforça o ciclo da violência, criando um mundo em que discordar se torna mortal.

Bezerra lembra ainda do risco de transformar ideologia em idolatria: “A diferença não mata. O ódio mata. E se você chegou até aqui tentando justificar esse crime, sua ideologia já virou seu deus — ou até seu demônio”.

Três questões sobre a morte de Kirk

Além das análises de Siqueira e Bezerra, é preciso levantar três pontos diante do assassinato cruel e covarde de Charlie Kirk — ainda que eu discorde dele em muitas posições políticas.

1. A comemoração da morte. Muitos celebraram a execução de Kirk, tratando-o como inimigo a ser eliminado. Mas, como lembra 1 João 3.15, quem odeia já é homicida em seu coração. Essas pessoas não puxaram o gatilho, mas compartilham da mesma lógica de morte, alimentando o ciclo do ódio.

2. A politização do crime. Outros instrumentalizam o assassinato para demonizar ainda mais o “lado oposto”. Esse caminho, porém, também é desumanizador. A democracia só existe quando enxergamos o adversário político como ser humano, criado à imagem de Deus, ainda que em profunda discordância.

3. A assimetria no luto. Por fim, chama a atenção a desproporção nas reações. A morte de Kirk gerou indignação generalizada, mas quantos se levantam contra assassinatos de inocentes na Faixa de Gaza ou nas favelas brasileiras? Não podemos ter “dois pesos e duas medidas” para a dor humana. A justiça bíblica nos chama a chorar com os que choram — todos os que choram.

Conclusão

Diante disso, ecoo a admoestação de Gutierres Siqueira: o cristão foi chamado para o ministério da reconciliação (2Co 5.18). Não pode odiar nem mesmo os inimigos (Mt 5.44), e sua boca deve ser canal de bênção, não de maldição (Tg 3.10).

É hora de rejeitar a cultura que celebra a morte e de vigiar o coração contra o sectarismo, porque a tentação de ver o mal apenas no “outro lado” é mais comum do que imaginamos. O ódio mata, mas a graça de Cristo reconcilia e restaura.


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