O filme “Amores Materialistas” e o amor bíblico

O filme “Amores Materialistas” e o amor bíblico

O filme “Amores Materialistas” e o amor bíblicoO filme Amores Materialistas (Materialists), da cineasta Celine Song, está em cartaz nos cinemas brasileiros desde o dia 31 de julho, e nos convida a refletir sobre os caminhos que o amor contemporâneo tem trilhado. Nele, somos apresentados a personagens que se veem diante de decisões afetivas movidas por interesses bem objetivos, quais sejam, status, segurança financeira, projeção social e estabilidade emocional.

O amor, nessa narrativa, é apresentado como um tipo de algoritmo emocional — uma equação de compatibilidades na qual o desejo cede lugar ao cálculo e o sentimento é domesticado pela conveniência.

A protagonista, Lucy (vivida por Dakota Johnson), encarna esse dilema moderno: ela precisa escolher entre um relacionamento mais estável e financeiramente confortável com John (Chris Evans), ou a paixão instável e visceral que sente por Harry (Pedro Pascal). A forma como essa escolha é explorada no filme não busca, necessariamente, emitir um juízo moral explícito, mas acaba retratando com nitidez a forma como muitos encaram as relações amorosas na sociedade contemporânea — como uma busca por realizações pessoais, conforto emocional e vantagens práticas.

Em suma, o “amor materialista” é aquele que ama para obter, e não para oferecer. Ele enxerga o outro como uma extensão de seus próprios desejos, como um meio para alcançar uma vida mais confortável, segura ou estimulante. O romance, assim, é moldado por critérios de utilidade e compatibilidade estratégica, como se o afeto pudesse ser medido em termos de retorno.

Essa perspectiva pode soar familiar para quem observa os padrões de relacionamento promovidos nas redes sociais, nos aplicativos de encontros ou até mesmo em muitos discursos motivacionais. Mas, à luz do Evangelho de Jesus Cristo, essa lógica se mostra radicalmente diferente daquilo que a Escritura ensina sobre o amor — especialmente o amor entre um homem e uma mulher.

Nosso objetivo aqui não é entrar especificamente nas questões comportamentais dos personagens – como o sexo fora do casamento e outras – mas no contraste entre os conceitos e representações do “amor materialista” moderno e do amor à luz da Bíblia.

O amor bíblico é mais do que sentimento; é entrega

A Bíblia nos apresenta uma visão profundamente contracultural do amor conjugal moderno. Em vez de ser centrado no que o outro pode me proporcionar, o amor bíblico é marcado pela doação de si em favor do outro. Ele não nasce do cálculo, mas da aliança (com Deus e entre o casal); não se sustenta no interesse, mas na fidelidade (para com Deus e entre o casal).

Cena do filme Amores Materialistas contrasta com o amor bíblico
O amor bíblico não nasce do cálculo, mas da aliança (com Deus e entre o casal)

O apóstolo Paulo resume isso de maneira sublime ao dizer: “Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5.25).

Aqui, o padrão do amor conjugal não é um ideal humano, mas o próprio Cristo. Um amor que se entrega, que sofre, que perdoa, que serve. Esse é o coração do Evangelho — e também o coração do casamento cristão. O modelo não é a busca pelo parceiro ideal, mas o compromisso de amar com paciência, sacrifício e graça, mesmo quando o outro não corresponde aos nossos desejos.

A mulher, por sua vez, é chamada a responder com respeito, honra e confiança (Ef 5.22-24), não por inferioridade, mas por reconhecer no marido um servo que lidera como Cristo: com humildade e amor.

O amor bíblico é aliança, não contrato

Na Bíblia, o casamento é definido como uma aliança, uma união selada diante de Deus, que reflete a fidelidade do próprio Senhor à Sua Igreja (cf. Malaquias 2.14; Oséias 2.19-20). Isso significa que o compromisso entre homem e mulher vai além do sentimento ou da conveniência: é uma escolha de amar com perseverança, mesmo nos dias difíceis, mesmo quando o “retorno emocional” não parece suficiente.

Essa aliança é sustentada por algo maior do que afinidade: ela é fundamentada na graça de Deus, que nos ensina a amar como fomos amados — incondicionalmente.

Amar para servir, não para consumir

Cena do filme Amores Materialistas contrasta com o amor bíblico
Casal Hope e Steve: ela cuida diariamente dele, que sofre de doença degenerativa

Em 1 Coríntios 13, Paulo descreve o amor com palavras que desafiam os moldes modernos: “O amor é paciente, é benigno; não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece. […] Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (vv. 4-7)

Essa é a essência do amor bíblico: amar para servir, não para consumir. O amor não é um investimento esperando retorno, mas uma entrega confiante de quem sabe que sua segurança está em Deus, e não no outro.

O Evangelho cura nossos “amores materialistas”

Não se trata aqui de condenar aqueles que vivem e pensam diferente, mas de oferecer, com mansidão e esperança, uma alternativa mais profunda: o amor que nasce do Evangelho. Esse amor não se corrompe com o tempo, nem se baseia nas circunstâncias. Ele é sustentado pela promessa de um Deus que nos amou primeiro, que nos amou tanto que entregou sua vida por nós, para que nós tenhamos vida verdadeira, abundante e eterna.

Amores Materialistas é um espelho da alma contemporânea — inquieta, ansiosa por controle, temerosa do vazio. Mas o amor bíblico aponta para algo maior: uma comunhão que não busca preencher-se do outro, mas doar-se em amor, como Cristo fez por nós.

E é importante dizer com amor e verdade: esse tipo de amor só é plenamente possível àqueles que estão em Cristo Jesus. Porque somente pela fé em Jesus, arrependendo-se dos próprios pecados e reconhecendo-O como Senhor e Salvador, é que somos regenerados, reconciliados com Deus e capacitados a amar como Ele nos ama.

O amor bíblico não nasce da força de vontade humana, mas do novo coração que Deus dá aos que creem.

Se você deseja experimentar esse amor — que serve em vez de exigir, que se entrega em vez de consumir — o convite do Evangelho permanece aberto: creia em Jesus Cristo, entregue-se a Ele, e receba uma nova vida.