Pastores em escândalo: um clamor por arrependimento e vigilância

Pastores em escândalo: um clamor por arrependimento e vigilância

Pastores em escândalo: um clamor por arrependimento e vigilância

Nas últimas semanas, áudios do pastor Silas Malafaia direcionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro tomaram os noticiários e escandalizaram fiéis e sociedade pela força de sua manipulação política e pelas palavras torpes proferidas.

Mas esse escândalo não é um caso isolado envolvendo pastores. O pastor Paulo Júnior, conhecido por suas pregações contundentes, recentemente admitiu atitudes de abuso espiritual, embora tenha demonstrado arrependimento público, inclusive se afastando do ministério. Outros líderes evangélicos, igualmente populares, têm sido envolvidos em acusações de diversas naturezas: corrupção, estelionato eleitoral, manipulação de fiéis, traições conjugais e até crimes violentos.

Esse cenário traz à tona uma dolorosa realidade: homens que começaram sua caminhada cristã com boas intenções acabam se tornando motivo de escândalo por escolhas feitas à revelia da vontade de Deus. É neste contexto que o pastor Jorge Rodrigues, da Primeira Igreja Batista em Planalto Serrano (Serra-ES), abre o coração em um texto marcado por misericórdia, temor e tremor. Confira a seguir:

Abrindo o coração: um olhar de misericórdia sobre meus queridos colegas pastores

Não me alegra nem um pouco ver lideranças religiosas caindo em desgraça por causa de atos ilícitos. É muito triste ver colegas de ministério pastoral imiscuídos em corrupção, assassinatos, estupros, traições, roubo, tráfico de influência, estelionato eleitoral, discursos de ódio, enriquecimento ilícito, entre outros males totalmente contrários aos valores cristãos.

Pastores em escândalo: um clamor por arrependimento e misericórdia
Pastor Paulo Júnior confessou atitudes que configuram abuso espiritual nas redes e se afastou do ministério por tempo indeterminado

O perigo das pequenas concessões

Com certeza, nenhuma dessas pessoas começou a caminhada de fé com intenções ruins, mas são escolhas à revelia de Deus que fazemos no meio dessa caminhada que têm levado alguns de nós a nos tornarmos motivo de escândalo.

São pequenas concessões diárias ao pecado que vão sendo feitas: são pequenas mentiras; é quando vamos abandonando nosso relacionamento diário de humildade, submissão, obediência e de oração com o nosso Deus; é quando vamos nos acostumando com aplausos, com fama, com ofertas financeiras além do necessário; quando nos permitimos olhar para outras pessoas com olhos maliciosos e sensualizados.

É quando colocamos a nossa família em segundo plano; quando nos envolvemos na política não por interesses públicos e republicanos; quando viramos nosso próprio “deus” usando o Santo nome de Deus; é quando também passamos a usar a Igreja de Cristo para finalidades antievangélicas (dentre outras questões).

Pastores em escândalo: um clamor por arrependimento e misericórdia
Jorge Rodrigues Neto é pastor da Primeira Igreja Batista de Planalto Serrano

Oração por arrependimento

Oro para que essas lideranças religiosas reconheçam seus pecados e arrependam-se, que paguem diante da Justiça humana por seus desvios, caso verdadeiramente culpados forem, e que se voltem novamente ao seu primeiro amor ao Senhor Jesus.

Há perdão Divino também para líderes que erram. Claro que o julgamento social será maior — afinal, fomos levantados por Deus para guiar o povo nos retos caminhos. Quando agimos hipocritamente, condenando aquilo que praticamos, nosso erro se torna ainda mais grave. Mas Deus perdoa também as falhas dos líderes que se arrependem. Basta olhar para a vida do Rei Davi na Bíblia Sagrada.

Vigilância e humildade

Que nós pastores possamos jamais soltar as mãos de Jesus, pois só assim não cairemos nos males em que tantos têm caído.

E é olhando no espelho que escrevo este texto.

Se me afastar de Jesus, posso fazer coisas até piores. E não se iluda, meu querido leitor e minha querida leitora: longe de Jesus, você também é capaz de realizar males inimagináveis. Voltemos todos e todas para Deus. Ele é o único que pode nos livrar de nós mesmos e do inimigo de nossas almas.

“Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41 – NVI).

Com carinho, temor e tremor,

Jorge Rodrigues, pastor da Primeira Igreja Batista em Planalto Serrano (Serra-ES)


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