Toni Garrido, Girassol e a masculinidade ideológica

Toni Garrido, Girassol e a masculinidade ideológica

Toni Garrido, Girassol e a masculinidade ideológicaNo programa Altas Horas, da TV Globo, exibido no último sábado (4), o cantor Toni Garrido alterou um trecho da música “Girassol”, sucesso da banda Cidade Negra, declarando que hoje considera a música “machista”.

“Durante anos eu cantei acreditando que era uma canção certa de amor, que fazia bem para as pessoas. Mas depois de 25 anos, me caiu a ficha: era uma letra hétero, machista, top, horrível”, afirmou o artista no palco do programa.

Por isso, quando cantou o sucesso durante o programa, mudou a frase clássica da canção que diz “pra ser homem tem que ter a grandeza de um menino” para “já que pra ser homem tem que ter a grandeza de uma menina, de uma mulher“.

Veja o vídeo:

A reação dos compositores

Após a apresentação da canção no programa, um dos compositores de “Girassol” e ex-companheiro de Garrido no Cidade Negra, o guitarrista Da Ghama se pronunciou sobre a polêmica relacionada à música, que também teve a parceria de Lazão, Bino Farias e Pedro Luis na composição.

Em seu posicionamento, o artista expressou incômodo e sentimento de desrespeito como compositor, reforçando que a obra nunca teve qualquer conotação “hetero machista” em sua criação — pelo contrário, sempre representou mensagens de amor, respeito e positividade.

Toni Garrido, Girassol e a masculinidade ideológica
Da Ghama

Coisa machista? Heteromachista? Como assim? (…) Me senti altamente desrespeitado como compositor, claro. (…) A ideia básica de colocar a grandeza de um homem na pureza de um menino é (…) uma crítica em relação aos homens que fazem a guerra. (…) É uma poesia em que, quando se fala do menino, a gente está se falando no sentido de o homem que faz a guerra se comparar, se colocar no universo de uma criança e ter esse reencontro ou encontro com a humildade, com a doçura, com a pureza. Essa é a mensagem, quando a gente pensou em escrever a letra”.

O olhar cristão sobre a “masculinidade ideológica”

O pastor Herley Rocha, da Igreja Presbiteriana Parque das Nações, fez uma reflexão à luz da fé cristã sobre o que está por trás da atitude de Toni Garrido em mudar a letra. Para ele, não se trata apenas de um ajuste linguístico, nem mera retórica, mas é um sintoma de um movimento que pretende redesenhar a identidade masculina por imposição cultural.

“A masculinidade ideológica funciona por sutilezas: começa trocando palavras, depois substitui conceitos, e logo exige comportamentos que esvaziam a essência da masculinidade no homem”.

Toni Garrido, Girassol e a masculinidade ideológica
Herley Rocha é pastor e teólogo

Em suma, a “masculinidade ideológica” quer suavizar durezas e apagar distinções criadas por Deus. O pastor argumenta que quando o homem cede à pressão ideológica perde a sua verdadeira identidade, bem como qualquer tipo de autoridade moral, “sendo meramente um elemento e marionete de um arranjo cultural que determina padrões ideológicos”.

O Evangelho e a verdadeira grandeza do homem

“Se a linguagem é remodelada, os valores viris, como força, responsabilidade, liderança, também são colocados sob suspeita. Que poder resta ao homem quando ele é compelido a se diluir na fluidez do discurso de uma ideologia?”, indaga Rocha.

Ele ainda reflete: “A verdadeira “grandeza de um homem” não está na dominação barata, mas no caráter amoroso e simples como de uma criança – mora no caráter puro de servidão, amor e retidão. A sua grandeza não se reescreve com slogans ou letras dobradas pela pressão cultural”.

E conclui: “O Evangelho resiste: Cristo não cedeu ao “espírito da cultura”, mas venceu o mundo. Ele nos convoca a uma masculinidade firme, construída sobre valores eternos, não sobre modismos”.

Cristo nos ensina que força não é dominação, mas fé firme, serviço e sacrifício. “Se você ceder à ideologia, quem será você amanhã? A masculinidade verdadeira não vem de slogans, mas de caráter moldado por Cristo”.


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