Contaminação em condomínio: MP convoca Prefeitura de Campinas para discutir pendências que travam solução

31/05/2026 - 08:40 - 08:40
Contaminação em condomínio: MP convoca Prefeitura de Campinas para discutir pendências que travam solução

Contaminação em condomínio em Campinas chega a 25 anos sem solução e moradores reclamam O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) vai se reunir com a Prefeitura para tentar resolver as pendências que têm interditado dois dos três blocos do Condomínio Parque Primavera, no bairro Mansões Santo Antônio, em Campinas (SP). O local tem uma contaminação de substâncias cancerígenas. A promotora Luciana Ribeiro Guimarães Viegas de Carvalho sugeriu duas datas para realização do encontro: 8 ou 9 de junho, na 12ª Promotoria de Justiça de Campinas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp O órgão estadual exigiu a participação de representantes de três secretarias municipais que tenham poder de decisão: Secretaria Municipal do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seclimas); Secretaria Municipal de Habitação (Sehab); Secretaria Municipal de Justiça (SMJ). Segundo o despacho, a reunião busca "delimitar as pendências que impedem a solução da problemática ambiental e urbanística da área". A iniciativa do MP foi motivada por uma notícia de fato apresentada por proprietários de apartamentos dos blocos interditados. Eles alegam tratamento desigual da prefeitura, já que há outros condomínios ao redor da contaminação que foram liberados. Em nota, a Prefeitura informou que os representantes das secretarias envolvidas verificam a disponibilidade das agendas para confirmação. "A reunião foi solicitada pelo Ministério Público e a administração prestará as informações necessárias", completou. Os proprietários também contestam a afirmação do Executivo de que cobranças sobre projetos de descontaminação ou da manutenção de uma usina de extração de gases devem ser direcionadas à Concima S. A. Construções Civis, construtora responsável pelo empreendimento e que teve a sua falência decretada pela Justiça em abril de 2022. Entenda tudo sobre a contaminação: Como está o condomínio contaminado por substâncias cancerígenas prestes a completar 25 anos sem solução em Campinas Qual a contaminação e como ela começou? Imagem aérea do local e gráfico com a extensão da contaminação Reprodução/Cetesb Segundo a Cetesb, as substâncias, detectadas em outubro de 2001, são etanos e etenos clorados, presentes no solo, em vapores do solo, água subterrânea e ar ambiente. Esses compostos são capazes de causar câncer e evaporam com facilidade. A origem da contaminação é atribuída à indústria Proquima Produtos Químicos Ltda, que funcionou no local entre 1973 e 1996 e tinha como principais atividades a recuperação de solventes e a fabricação de produtos de limpeza. De acordo com a Cetesb, existem evidências de que a Proquima descartava resíduos gerados pela empresa em “poços sumidouros”. Nesses poços, o esgoto se infiltrava no solo e atingia águas subterrâneas. Além disso, em 9 de abril de 1987, ocorreu um incêndio nas dependências da empresa que causou derramamento de produtos químicos. A contaminação se estende por diversas quadras, chegando, inclusive, à margem oposta de um córrego entre a Rua Clóvis Teixeira e a Rua José Luis de Camargo Moreira. Posteriormente, a Proquima vendeu o local à Concima, que iniciou a construção do condomínio. Usina de extração de gases Usina é responsável por extrair gases do centro da contaminação Estevão Mamedio Uma medida para descontaminação foi a implantação de uma usina de extração de gases, no subsolo de um dos blocos interditados. A estrutura foi inaugurada em junho de 2014. O sistema consiste em quatro motores, que são regulados por meio de inversores, e puxam gases e substâncias do centro da contaminação. Por meio de encanamentos, o conteúdo extraído é levado a tanques com carvão ativado, que retém os etanos e etenos clorados. Depois de passar pelos tanques, o ar, já limpo, é liberado para a atmosfera. A Prefeitura de Campinas ficou responsável pela usina até outubro de 2020, quando foi entregue ao condomínio. No entanto, o sistema não funciona há cerca de dois meses por conta de dois inversores danificados. O condomínio alega não ter condições de bancar o conserto. Notícia de fato Blocos B e C estão interditados há 25 anos pela Cetesb Estevão Mamedio Na notícia de fato apresentada pelos proprietários de apartamentos das torres interditadas é citada uma reunião com representantes da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e da Prefeitura de Campinas, realizada em 2 de abril deste ano, para tentar "destravar" as torres interditadas. No entanto, o encontro terminou sem uma conclusão, o que o grupo aponta ter sido causado pela ausência de algum representante do Executivo que tivesse poder de decisão. Os proprietários ainda pediram ao MP uma apuração quanto à responsabilidade da usina de extração de gases e dos documentos necessários para liberar os blocos, já que, de acordo com o grupo, não é possível responsabilizar exclusivamente a Concima por estar falida. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas