Guarda de Indaiatuba preso por sequestro do influencer Gabriel Spalone é ligado a facções e venda de armas, aponta investigação

Guarda municipal Álvaro Augusto Barbosa dos Santos Ribeiro, de 34 anos, foi preso nesta terça-feira Reprodução/Instagram O guarda municipal de Indaiatuba (SP) Álvaro Augusto Barbosa dos Santos Ribeiro, de 34 anos, é ligado a facções criminosas e à venda de armas, segundo investigação. Ele foi preso nesta quinta-feira (7) suspeito de integrar uma quadrilha especializada em extorsão e sequestro. Mensagens interceptadas pela Polícia Civil indicam que o guarda participou de negociações de armamentos, incluindo revólveres calibre .38 e pistolas 9 mm. Em uma das conversas, há também a tratativa para a venda de um fuzil calibre 556. No celular dele, os investigadores encontraram ainda mensagens com comunicados de facções criminosas como PCC e Comando Vermelho, incluindo conteúdo que menciona uma possível aliança entre os grupos. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Indaiatuba informou que "está em andamento a solicitação de afastamento do agente envolvido pelo período de 60 dias". Além disso, afirmou estar "à disposição das autoridades para colaborar com as investigações". O g1 tenta localizar a defesa de Ribeiro. Operação do MP e polícia mira sequestradores de operador de criptoativos Sequestro de influencer A ação do Ministério Público (MP) e da Polícia Civil, chamada de “Criptonita”, é um desdobramento de uma investigação do 34º Distrito Policial (Morumbi), na Zona Sul da capital, que começou após o sequestro do operador de criptomoedas e influenciador digital Gabriel Spalone, em fevereiro de 2025. Segundo a investigação, Spalone teria recebido valores para comprar criptomoedas e realizar movimentações financeiras para o grupo criminoso. No entanto, as transações acabaram bloqueadas por instituições financeiras, o que motivou o sequestro. O valor envolvido na disputa chega a R$ 70,8 milhões, segundo os investigadores. Spalone é réu na Justiça por furto qualificado e associação criminosa pelo desvio ilegal de mais de R$ 146 milhões de um banco, via PIX, no ano passado. Após ter sido preso pelas autoridades, o influenciador digital foi solto neste ano para responder aos crimes em liberdade. Agressões e ameaças O infuencer havia sido sequestrado em fevereiro do ano passado, quando foi abordado pelos criminosos no Shopping Cidade Jardim, na Zona Sul da capital paulista. Eles o levaram para um cativeiro num sítio em Santa Isabel, na Grande São Paulo, onde foi agredido e ameaçado para conseguir reaver a quantia milionária. Spalone foi libertado por policiais depois que a namorada dele pediu ajuda. A vítima havia enviado mensagens de celular para ela avisando do sequestro. À época, os sequestradores foram presos em flagrante, mas depois acabaram liberados. Prisões por 30 dias Quatro alvos foram presos até a última atualização desta reportagem. Uma das prisões ocorreu em Natal, capital do Rio Grande do Norte. A polícia e o MP pediram as prisões dos alvos por 30 dias por entender que são medidas necessárias para a continuidade das investigações. As ações ocorrem na capital paulista, Grande São Paulo, e regiões de Campinas e Sorocaba, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Ao todo, 54 policiais civis foram mobilizados, incluindo equipes especializadas do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) e do Grupo Especial de Reação (GER), da Polícia Civil. Também participam agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. Veículos esportivos de luxo Outros 13 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos endereços dos investigados. Foram apreendidos três veículos esportivos de luxo: um carro Porsche, uma picape Nissan Frontier e uma moto Kawasaki. Também foram recolhidos celulares, notebook e máquina de contar dinheiro. O poder judiciário ainda autorizou a quebra do sigilo de mensagens telefônicas para identificar a estrutura completa da organização. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas