Entenda como método da Unesp extrai e recicla cobre de lixo eletrônico

23/03/2026 - 14:30  
Entenda como método da Unesp extrai e recicla cobre de lixo eletrônico

Unesp Araraquara desenvolve método que recupera e dá destino sustentável ao cobre Pesquisadores do Instituto de Química da Unesp, em Araraquara (SP), desenvolveram um método otimizado para extrair cobre de placas e circuitos de lixo eletrônico. O estudo busca tornar a reciclagem desses materiais mais eficiente e menos agressiva ao meio ambiente. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram O trabalho integra o projeto "Abordagens Analíticas Inovadoras para a Gestão Sustentável de Resíduos Eletrônicos", coordenado pela professora Fabíola Manhas Verbi Pereira, do Grupo de Abordagens Analíticas Alternativas (GAAA). O desafio do lixo eletrônico Para diminuir o lixo eletrônico, pesquisaores buscam solução Eloisa lopez/Reuters O descarte acelerado de aparelhos tecnológicos é um problema global crescente. Segundo o The Global E-waste Monitor, em 2022 foram geradas cerca de 59,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico no mundo, com previsão de chegar a 74 milhões de toneladas até 2030. Mais notícias da região: SOFRIMENTO: Cão é resgatado em situação de maus-tratos e tutor é detido no interior de SP RIQUEZA: PIB de R$ 369 mil por habitante: pequena cidade lidera ranking do IBGE na região; confira ET DE VARGINHA: Cilíndrica, com fumaça e cheiro de amônia: como testemunhas descrevem suposta nave Esses resíduos contêm metais nobres e estratégicos, mas também substâncias tóxicas que, se descartadas incorretamente, contaminam o solo e a água. “Muitos desses metais têm valor econômico e alto custo de obtenção por mineração, o que torna a reciclagem um caminho cada vez mais relevante”, destaca a professora Fabíola. Por que o cobre? Grupo de Abordagens Analíticas Alternativas (GAAA) do Instituto de Química, da Unesp, em Araraquara (SP) Divulgação/ Arquivo pessoal O cobre foi escolhido como foco da pesquisa por sua alta concentração nas placas e pela complexidade de sua extração. Segundo o pós-doutorando Dennis Silva Ferreira, colaborador do estudo, o metal influencia a recuperação de outros elementos. “Por estar presente em grande quantidade, ele acaba condicionando toda a estratégia de extração. Se o cobre não for bem controlado, a recuperação dos demais metais fica comprometida”, explica o pesquisador. Como funciona o método Diferente dos processos convencionais que usam altas temperaturas para derreter e separar metais, a equipe utilizou a hidrometalurgia. A técnica emprega soluções líquidas para dissolver o metal de interesse, economizando energia e reduzindo a emissão de poluentes. O processo seguiu as seguintes etapas: Preparo: As placas foram trituradas e peneiradas até virarem um pó fino, aumentando a área de contato. Testes: Foram realizados 33 experimentos combinando diferentes variáveis (tempo, temperatura e soluções químicas). Resultado: O ácido nítrico isolado mostrou-se a solução mais eficiente para a "lixiviação" (transferência do cobre do sólido para o líquido), superando a água e misturas com cloreto de sódio. Para validar a eficiência, o grupo utilizou técnicas avançadas como fluorescência de raios X e espectroscopia a laser, além de algoritmos de ciência de dados desenvolvidos pela própria equipe para processar o volume de informações. Próximos passos Com a etapa de extração (lixiviação) otimizada, o grupo agora foca em: Recuperar o cobre da solução líquida, transformando-o novamente em produto sólido comercializável. Expandir o método para metais nobres como ouro, prata e estanho. Realizar experimentos com plantas para avaliar o impacto ambiental e a absorção de metais de resíduos moídos. A pesquisa não foi publicada, até o momento, pois trata-se de um trabalho acadêmico de mestrado realizado na Unesp e não um artigo científico. No entanto, há a possibilidade de publicação após a conclusão do estudo. REVEJA VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara