Greening: convênio prevê R$ 90 milhões em pesquisa aplicada para combater maior praga da citricultura mundial

Piracicaba recebe novo centro de pesquisa para combater maior praga da citricultura O combate ao greening, a praga mais destrutiva às plantações de laranja no Brasil e no mundo, é um dos pilares que motivaram a criação do Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros). Resultado de uma parceria público-privada que congrega universidades de diferentes países, fundações, demais órgãos do setor e governo do estado de São Paulo, o convênio prevê R$ 90 milhões a serem aplicados em cinco anos de pesquisa, transferência de tecnologia e educação. 🍊 O que é o greening? É uma doença provocada por uma bactéria, transmitida pelo inseto psilídeo Diaphorina citri, conhecido como cigarrinha. O greening é considerado a praga mais destrutiva da citricultura mundial. Os sintomas podem ser observados nas folhas, que apresentam um aspecto amarelado, e nas flores, que ficam secas e murchas, por exemplo. O greening atinge os pomares da citricultura brasileira desde 2004, especialmente no estado de São Paulo. Pé de laranja com greening Fundecitrus/Divulgação O acordo, que busca estratégias aplicadas promovidas pelo CPA-Citrus no combate de doenças no setor, foi formalizado nesta segunda-feira (12), na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq), o campus da USP em Piracicaba (SP), que interliga outros centros de pesquisas e é sede virtual. O convênio interliga 19 instituições e 76 departamentos científicos de sete países, sendo Brasil, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Austrália. Greening muda mapa da citricultura no país A cerimônia da assinatura do convênio teve participação de representantes da universidade, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), de produtores do setor e demais órgãos. 📲 Receba no WhatsApp notícias da região de Piracicaba Assinatura de convênio para estratégias do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura - CPA Citros na Esalq em Piracicaba Yasmin Moscoski/g1 Interior de São Paulo Um levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido por citricultores e indústrias de suco do estado, revelou que a região de Limeira (SP) é a mais afetada pelo greening no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais em 2024. A liderança no ranking segue uma tendência já observada em anos anteriores. Em relação a 2023, a incidência da doença na região passou de 73,87% para 79,38%. O prejuízo nos pomares e as altas temperaturas têm impacto nos preços da fruta e do suco vendidos ao consumidor. LEIA MAIS 📝 Calor e greening impactam safra da laranja e preço da fruta alcança maior patamar em 30 anos Entenda por que importação de laranja tem recorde em pico de safra e exportações de suco seguem em ritmo lento Greening Reprodução / Globo Rural Impacto no bolso Na fazenda da família do Lucas Eduardo Boschiero, a plantação de laranjas está na terceira geração. Boa parte da safra é prejudicada pelo greening. Essa situação se repete em muitas outras propriedades rurais da região, uma das principais produtoras da fruta do Brasil. "Hoje a gente está na região aqui, plantadas mais ou menos 100 mil plantas. Na faixa mais ou menos de 80% [tiveram] infestação pelo greening. Tivemos que percorrer outros estados, como Bahia, Minas, Sergipe e Goiás, para a gente fazer o suco e vender a laranja in natura", contou o produtor em entrevista a EPTV em 2024. O produtor usava dois preços diferentes para vender a laranja: uma parte vai para a indústria, para a produção de sucos, por exemplo. O que era vendido a R$ 0,80 passou a custar R$ 2 na época. Ao vender para mercados, que distribuem nas gôndulas as frutas maiores e mais bonitas, é ainda mais caro. O que antes custava R$ 1 por quilo passa a custar R$ 3. O impacto, é claro, chega ao consumidor final. O restaurante do Elias Staiguer funciona onde antes havia uma plantação de laranjas que foi destruída pelo greening. Hoje, o comerciante compra a fruta de outro produtor da região de comanda a própria fábrica de sucos. "A laranja vem de mais longe, ela está mais cara e tem o frete ainda para impactar mais no valor", destaca Staiguer. Greening mata as plantas e causa prejuízos nos pomares Reginaldo dos Santos/EPTV VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba