Motorista da Uber estava viva quando foi atropelada em assalto, diz laudo; casal está preso

Motorista da Uber estava viva quando foi atropelada em assalto; casal está preso A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Carlos (SP) concluiu o inquérito do assassinato brutal da motorista de aplicativo Edite Alves Bomfim, de 50 anos. Conforme apurado pelo g1, a causa da morte foi um politraumatismo craniano provocado pelo atropelamento. Edite foi encontrada morta na noite de 16 de setembro, na Estrada do Lobo, via rural que liga o bairro Varjão ao distrito de Água Vermelha. Os suspeitos Luiz Rafael de Oliveira Leite Laino, de 36 anos, e Paloma Leite Cardoso, de 33, foram presos em 18 de setembro em Itirapina (SP). O delegado responsável pelas investigações, João Fernando Baptista, disse que os laudos periciais apontaram que Edite não foi morta por enforcamento e que a motorista estava viva quando foi atropelada pelos criminosos. "Porém, ao que tudo indica, ela já não estava consciente." Ao g1, o delegado informou que Luiz Rafael e Paloma ainda não possuem advogados constituídos. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram De acordo com João Fernando, as investigações se basearam na averiguação das versões dos dois indiciados e na análise dos laudos periciais produzidos pelos Institutos Médico Legal (IML) e de Criminalística (IC). O inquérito foi concluído na quarta-feira (30) e encaminhado à Justiça. Paloma Leite Cardoso e Luiz Rafael de Oliveira Leite Laino (à esq.) foram indiciados pelo latrocínio de motorista de app (à dir.) em São Carlos (SP) Redes Sociais e Fabio Souza/EPTV Em relação à versão dos indiciados, a Polícia Civil apurou que a mais próxima da verdade foi a do homem. "Nós apuramos junto à empresa Uber que ele solicitou a corrida através do celular dele, da conta dele, cadastrado no nome dele. Todos os dados cadastrais completos." A equipe da DIG refez o trajeto feito pelos criminosos, sendo que a corrida começou perto da casa do indiciado. "Comprovamos, por meio da análise das imagens, que a vítima conduziu o veículo ao entrar na UFSCar e, minutos depois, foi o [Luiz] Rafael que saiu dirigindo o veículo." De acordo com o delegado, após o crime, o casal utilizou o cartão da motorista para abastecer o carro duas vezes, foi até Araraquara e, no retorno para São Carlos, abandonou o corpo e o veículo da vítima. A motorista Edite Alves Bomfim, de 50 anos, foi encontrada morta com sinais de agressão em São Carlos, SP Redes Sociais Latrocínio Luiz Rafael e Paloma foram indiciados pelo crime de latrocínio, que é o roubo com morte. Os próximos passos do caso ficarão sob responsabilidade do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e da Justiça. "O Ministério Público, ao analisar o inquérito policial, ele ofertará a denúncia, apresentará a denúncia perante o Poder Judiciário que, se aceitar, vai ser marcada uma audiência e eles [Luiz Rafael e Paloma] vão ser julgados através de uma audiência de instrução e julgamento", finalizou o delegado. Como o crime aconteceu Segundo a Polícia Militar, o assalto teve início na noite de 16 de setembro, quando o suspeito, motivado pela intenção de conseguir dinheiro para comprar drogas, solicitou uma corrida por aplicativo com a motorista. Durante o trajeto, ele rendeu e estrangulou a vítima utilizando um cadarço de sapato no pescoço. Após conter a motorista, o homem roubou o telefone celular e o dinheiro dela, além de tomar a direção do veículo. Carro de mulher encontrada morta foi localizado em São Carlos (SP) Redes Sociais e Polícia Militar A vítima foi deixada na Estrada do Lobo, uma via rural que liga o bairro Varjão ao distrito de Água Vermelha, em São Carlos. Além dos sinais de estrangulamento e de lesões graves no couro cabeludo, o corpo apresentava marcas de pneu na região abdominal e rastros de veículo na estrada de terra, indicando atropelamento no local do abandono. Na sequência do crime, por volta das 2h30 da madrugada de 17 de setembro, o homem e sua companheira foram até o bairro Jardim Ipanema, onde abandonaram o automóvel destrancado na Rua Vereador Lucas Perroni Junior. O veículo permaneceu no local ao longo de todo o dia, apresentando manchas de sangue e fios de cabelo em seu interior, até ser localizado após a denúncia de um morador da região. Em nota, a empresa Uber lamentou a morte de Edite, informou que baniu a conta usada para solicitar a corrida em que o crime aconteceu e disse que todas as viagens são cobertas por seguro, com apoio oferecido à família da vítima. O corpo dela foi enterrado na manhã de 19 de setembro no Cemitério Municipal de Torrinha. A irmã de Edite falou sobre o crime e se emocionou. Veja vídeo abaixo: Assassinato de motorista de aplicativo em assalto revolta irmã da vítima: 'Crime brutal' De locutora de rádio a motorista de aplicativo Antes de assumir o volante, Edite realizou o sonho de trabalhar com comunicação. Logo após concluir o curso de locução no Senac de São Carlos, atuou durante um ano e meio como locutora na Rádio Cidade Aracy. No ar, ela apresentava programas dedicados ao sertanejo raiz e universitário, conquistando ouvintes com seu carisma e alto-astral. Há cerca de um ano, ela deixou a emissora e passou a trabalhar como motorista de aplicativo na cidade. O hábito de espalhar boas energias continuou nas redes sociais e no contato diário com os passageiros, onde ficou amplamente conhecida pelo seus bordões animados e carinhosos, como "Iraaaaa" e "Bom dia, flor do dia". Edite Alves Bomfim foi assassinada durante assalto quando fazia corrida por aplicativo em São Carlos (SP) Arquivo pessoal REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara