Cinco meses após demissões, ex-funcionários terceirizados de UPAs de Piracicaba seguem sem receber rescisão

Prédio da UPA Vila Cristina, em Piracicaba Isabela Borghese/ Prefeitura de Piracicaba Passados cinco meses desde suas demissões, os ex-funcionários terceirizados das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Vila Cristina e Vila Sônia, de Piracicaba (SP) ainda não receberam suas verbas rescisórias. São cerca de 300 trabalhadores. Eles foram dispensados em 4 de dezembro de 2026, após rescisão contratual da prefeitura com a Organização Social de Saúde (OSS) Hospital Mahatma Gandhi, que fazia a gestão das duas UPAs e era responsável pelos profissionais. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram A OSS diz que os pagamentos são de responsabilidade da prefeitura. A administração municipal, por sua vez, afirma ter agido em conformidade com a lei e que todos os valores devidos foram pagos ao Hospital Mahatma Gandhi, que tem sede em Catanduva (SP). Ações trabalhistas Ex-funcionários buscam suas verbas rescisórias por meio de ações na Justiça do Trabalho. No entanto, não há qualquer previsão de pagamento, segundo a advogada Letícia de Toledo Piza Rossi, que representa cerca de 150 trabalhadores. Entre os ex-funcionários, há profissionais da faxina, técnicos de enfermagem, enfermeiros, farmacêuticos e radiologistas, segundo Letícia. “Tem pessoas que são muito humildes. Eu tenho trabalhadores aqui comigo que são semianalfabetos e estão passando dificuldade extrema, porque era a única fonte de renda. Foram mandados embora e não viram esse dinheiro até agora. Sequer conseguiram ter um Natal digno. Teve pessoas que me ligaram chorando, que não tinham o que comer”, diz. Eventuais pagamentos dependem de um processo criminal contra a OSS, investigada por conta de um suposto esquema de corrupção de lavagem de dinheiro, com desvios de recursos públicos que teriam ultrapassado R$ 1,6 bilhão. Operação do MP Operação apreende computadores e investiga irregularidades em gestão de UPAs de Piracicaba Em agosto de 2025, a instituição foi alvo de uma operação do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), inclusive com apreensão de computadores nas UPAs Vila Cristina e Vila Sônia. Bens também foram bloqueados durante a ação. Segundo Letícia, todo o montante bloqueado está no processo criminal, que foi aberto em Catanduva e está em segredo de Justiça. Leia mais MP questiona prefeitura sobre contratação de OSS para gestão de UPAs A juíza do trabalho Renata Nunes de Melo, de Piracicaba, chegou a solicitar à Justiça Criminal de Catanduva a reserva de valores para pagamento das verbas rescisórias. Mesmo assim, as dívidas trabalhistas ainda não foram pagas. “Tem um dinheiro bloqueado lá. A gente não sabe quanto porque não foi autorizado a nossa entrada como advogados no processo, mesmo com a o ofício da juíza pedindo para a gente ser habilitado nesse processo”, afirma. Em razão dos bloqueios realizados em agosto, em setembro, a Justiça autorizou a Prefeitura de Piracicaba a pagar os salários dos funcionários da OSS, e, segundo Letícia, os pagamentos estavam sendo realizados. Encerramento de contrato UPA Vila Sonia, em Piracicaba Ronaldo Oliveira/EPTV No entanto, em dezembro, a administração municipal resolveu encerrar o contrato, que era válido até 2028, e os trabalhadores ficaram sem suas verbas rescisórias. A advogada disse ter buscado uma solução junto à prefeitura, mas sem sucesso. Para ela, não havia necessidade de o Executivo ter rescindido com a OSS, haja vista que os salários estavam sendo pagos e o serviço estava sendo prestado. À época, o então secretário municipal de Saúde, Sergio Pacheco, disse que a decisão levou em conta descumprimentos salariais, a insatisfação dos usuários, as manifestações de vereadores e questionamentos do Ministério Público e do Tribunal de Contas. Sindicato Paralelamente, também há uma ação civil pública movida pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Piracicaba, para reivindicar os direitos trabalhistas dos profissionais. “Os trabalhadores não podem ser penalizados pela má gestão ou por eventuais irregularidades na aplicação dos recursos públicos, especialmente em um serviço essencial como a saúde”, diz a entidade, em nota. Segundo o advogado da entidade, Pedro Garcia, existe uma audiência marcada para 27 de julho, às 13h, com representantes do sindicato, da OSS e da prefeitura. O que dizem a prefeitura e a OSS OSS Hospital Mahatma Gandhi, sediado em Catanduva (SP) Monize Poiani/TV TEM A prefeitura comunicou, em nota, que “adotou todos os procedimentos em consonância com a legislação vigente” e que “o contrato com a OSS Mahatma Gandhi foi rescindido no ano passado e todos os valores devidos foram pagos à instituição”. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp O Hospital Mahatma Gandhi citou uma decisão da 2ª Vara Criminal de Catanduva, de 9 de dezembro de 2025, que autoriza a prefeitura a realizar o pagamento direto aos funcionários e fornecedores. “Os municípios que mantinham relação jurídica com a associação foram autorizados a promover o repasse direto de verbas para quitação de obrigações trabalhistas e de credores. Portanto, no período mencionado, a operacionalização desses pagamentos ficou sob a responsabilidade da administração municipal de Piracicaba, mediante a retenção de valores que seriam destinados à OSS. A atual diretoria da entidade, que assumiu em 01/11/2025, segue colaborando com a Justiça e fornecendo todas as informações necessárias para que os direitos dos trabalhadores sejam plenamente resguardados dentro do fluxo financeiro estabelecido pelo Poder Judiciário”, diz. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba