Como a tecnologia brasileira da Legun reduz lodo, emissões e custos operacionais

Como a tecnologia brasileira da Legun reduz lodo, emissões e custos operacionais – Crédito: Divulgação A busca por soluções de saneamento mais eficientes e com menor impacto ambiental tem aproximado o setor de princípios antes restritos à área industrial. É o caso da Ecologia Industrial, abordagem que propõe integrar processos produtivos a partir da lógica dos ecossistemas naturais: tudo o que é resíduo em um ponto vira insumo em outro. No Brasil, uma tecnologia desenvolvida pela Legun Biotecnologia aplica esses mesmos princípios no tratamento de efluentes, ainda que sem rotulá-los formalmente como Ecologia Industrial. O resultado é um processo mais limpo, com uso reduzido de recursos, menos transporte, menor geração de lodo e emissões significativamente inferiores às práticas tradicionais de manejo. “Quando reduzimos o lodo dentro da própria estação, estamos aplicando na prática a lógica da ecologia industrial: menos resíduo, menos transporte e mais eficiência ambiental”, afirma Carlos Laia, diretor da Legun Biotecnologia. Ciclos internos mais eficientes: o “metabolismo industrial” das ETEs Um dos pilares da Ecologia Industrial é o conceito de metabolismo, no qual fluxos de matéria e energia são recirculados para diminuir perdas. Nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), a tecnologia da Legun faz algo semelhante ao acelerar a degradação biológica do lodo por meio de microrganismos autóctones selecionados. Esse processo transforma a matéria orgânica em gás, água e biomassa estável, reduzindo drasticamente o volume acumulado ao longo dos anos. A maior parte do ciclo ocorre dentro da própria lagoa ou reator, reduzindo a necessidade de intervenções mecânicas ou remoção externa. Menos caminhões nas ruas: simbiose industrial com os municípios Outra característica central da Ecologia Industrial é a simbiose, quando diferentes sistemas cooperam para reduzir custos e impactos. No saneamento, isso significa que, ao diminuir o lodo, a tecnologia reduz também a quantidade de caminhões necessários para transporte até aterros sanitários. Esse é um dos pontos de maior custo e maior emissão de CO₂ no ciclo de vida das ETEs. A consequência é direta: menos CO₂ emitido, menos tráfego de veículos pesados, menor pressão sobre aterros, menor risco ambiental associado ao transporte de resíduos. Para municípios, essa simbiose representa alívio orçamentário e ambiental. Ciclos de matéria mais eficientes e menos dragagem O acúmulo de lodo é um dos principais desafios de pequenas e médias ETEs no Brasil. Quando o volume atinge limites operacionais, torna-se necessária a dragagem, um processo caro, complexo e especialmente poluente. Ao acelerar a decomposição da matéria orgânica, a metodologia da Legun retarda ou elimina a necessidade de dragagem, melhorando a eficiência dos ciclos internos da própria estação. Esse efeito é um exemplo direto da lógica de ciclagem de materiais defendida na Ecologia Industrial: menos matéria residual, menos energia gasta para retirá-la e mais circularidade dentro do próprio sistema de saneamento. Economia circular aplicada ao saneamento: menos lodo e mais eficiência Na Ecologia Industrial, o conceito de desmaterialização é fundamental: produzir mais usando menos recursos. No saneamento, isso se traduz em uma redução significativa do volume de lodo gerado ao longo do processo de tratamento. Em muitos municípios, a diminuição pode chegar a 70% ou até 80% do volume original, um impacto direto em custos operacionais, ambientais e estruturais. Como a tecnologia brasileira da Legun reduz lodo, emissões e custos operacionais – Crédito: Divulgação Essa redução aproxima o saneamento da lógica da economia circular, permitindo que o sistema opere com menor demanda por insumos externos e menor produção final de resíduos. Conexão com os ODS e as metas climáticas globalmente discutidas A metodologia está alinhada a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, especialmente no contexto da Agenda 2030 da ONU. Entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) diretamente atendidos estão: ODS 6 – Água potável e saneamento ODS 7 – Energia limpa e acessível ODS 9 – Indústria, inovação e infraestrutura ODS 11 – Cidades e comunidades sustentáveis ODS 12 – Consumo e produção responsáveis ODS 13 – Ação contra a mudança climática A atuação da Legun mostra como inovações biotecnológicas nacionais podem contribuir para metas de redução de emissões, eficiência de recursos e resiliência climática. Uma transição silenciosa, mas decisiva Embora o setor de saneamento nem sempre apareça nos debates de inovação, soluções como a da Legun mostram que a Ecologia Industrial já está presente no Brasil, em escala municipal, diária e com impacto mensurável. Ao transformar lodo em ciclos internos mais eficientes, reduzir emissões e alavancar economia circular, tecnologias desse tipo apontam para um futuro em que o saneamento deixa de ser apenas tratamento de resíduos e passa a integrar sistemas produtivos, ambientais e climáticos.