Paciente com esquizofrenia desaparece após fugir de hospital pulando muro no interior de SP

Paciente com esquizofrenia desaparece após fugir de hospital pulando muro em SP Um jovem de 27 anos está há mais de 10 dias desaparecido após fugir de um hospital psiquiátrico pulando o muro, em Rio Claro (SP). Murillo Henrique de Oliveira Barboza tem diagnóstico de transtorno psicótico agudo e transitório, esquizofrenia paranoide e transtorno delirante. A família, que mora em Pirassununga (SP), entrou na Justiça para que Murillo fosse internado compulsoriamente. Antes da internação, ele estava em situação de rua, com uso abusivo de álcool e drogas, apresentando risco a própria integridade e a de terceiros. Em 5 de maio deste ano, a Justiça determinou que a prefeitura de Pirassununga providenciasse a internação de Murillo em estabelecimento hospitalar adequado de natureza psiquiátrica em um prazo de três dias corridos, sob pena de multa diária de R$ 500. No dia seguinte, o rapaz foi internado na Casa de Saúde Bezerra de Menezes, em Rio Claro (SP), onde permaneceu até o dia da fuga, em 19 de maio. O caso foi registrado na Polícia Civil como evasão ou fuga de paciente de estabelecimento hospitalar. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Em nota, a Casa de Saúde Bezerra de Menezes, de Rio Claro (SP), afirmou que os serviços de internação psiquiátrica possuem natureza assistencial e terapêutica, destinando-se à promoção da saúde mental, estabilização clínica e proteção da integridade do paciente e que não se caracterizam como estabelecimento prisional ou local de privação absoluta de liberdade. A instituição confirmou a fuga do paciente por volta das 11h30 de 19 de maio após pular o muro da unidade hospitalar e que as medidas cabíveis e compatíveis com os protocolos foram adotadas imediatamente, entre elas, buscas nas imediações, comunicação aos familiares e formalização de BO. Veja o posicionamento completo abaixo. Paciente com esquizofrenia desapareceu após fugir de hospital pulando muro em Rio Claro (SP) Arquivo Pessoal e EPTV/Reprodução Mais notícias da região: PROGRAMAÇÃO: 78º Corpus Christi em Matão espera mais de 50 mil pessoas 136 ANIMAIS MORTOS: caseiro tem prisão mantida, e polícia investiga maus-tratos VÍDEO: veja estragos de grave acidente que matou motociclista de 20 anos 'Sem resposta' Ao g1, Mirian Roberta, irmã de Murillo, disse que o hospital alegou que não se responsabiliza pelo paciente e que não os mantêm em cárcere privado, ou seja, caso eles queiram ir embora, podem ir. "Uma situação muito triste. A gente se esforçou e fez de tudo para que conseguisse a internação, para que ele fosse internado para chegar lá e ele simplesmente fugir e o hospital não fazer nada para que ele continuasse lá. Então para que serve o hospital?", disse ela. Para Mirian, é revoltante a atitude que o hospital psiquiátrico deve com o irmão dela. "A gente deixa lá uma pessoa que amamos para se tratar, ser cuidada e não imaginamos o que pode acontecer. Agora estamos todos sem resposta, sem saber onde procurar, o que fazer". Paciente com esquizofrenia desapareceu após fugir de hospital pulando muro em Rio Claro (SP) Arquivo Pessoal O que diz a prefeitura Em nota, a Prefeitura de Pirassununga informou que acompanha o caso e esclarece que irá oficiar formalmente a unidade hospitalar responsável pela internação para obter informações detalhadas sobre as circunstâncias que permitiram a evasão do paciente, bem como sobre as providências adotadas para a localização dele. A administração municipal ressaltou que, na condição de tomadora do serviço de internação psiquiátrica, cabe, ao hospital responsável pela guarda, o acompanhamento e adoção dos protocolos de segurança relacionados ao paciente durante o período de internação. A prefeitura disse que segue acompanhando o caso junto aos órgãos competentes e aguarda os esclarecimentos oficiais da instituição responsável, mantendo atenção às medidas necessárias relacionadas ao atendimento e à continuidade da assistência ao paciente. O g1 entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (SES-SP) e aguarda um retorno. Casa de Saúde Bezerra de Menezes de Rio Claro (SP) EPTV/Reprodução Tipos de internação Uma psiquiatra ouvida pelo g1 explicou que a reforma psiquiátrica (Lei de 2001) encerrou o modelo de custódia eterna em manicômios, sendo o foco, agora, no cuidado e tratamento, não em detenção. Existem três tipos de internação: voluntária: quando o paciente aceita o tratamento. Uma vez internado, ele pode sair quando quiser. O término acontece por solicitação escrita do paciente ou por determinação do médico assistente. involuntária: solicitada pela família com indicação médica circunstanciada, justificativa técnica detalhada, comunicação obrigatória ao Ministério Público em até 72 horas e registro formal no prontuário. Ela acontece nas seguintes situações: risco iminente de morte, risco de heteroagressividade, incapacidade grave de autocuidado, surto psicótico com perda de crítica. O término da internação involuntária acontece por solicitação escrita do familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento. compulsória: determinada por decisão judicial, geralmente via Defensoria Pública, para casos de surto psicótico ou risco de morte. Veja o posicionamento do hospital na íntegra "A Casa de Saúde Bezerra de Menezes vem, por meio desta, prestar esclarecimentos acerca da evasão do paciente MURILLO HENRIQUE DE OLIVEIRA BARBOZA, ocorrida em 19 de maio de 2026, durante o período de internação psiquiátrica. Inicialmente, é importante esclarecer que os serviços de internação psiquiátrica possuem natureza assistencial e terapêutica, destinando-se à promoção da saúde mental, estabilização clínica e proteção da integridade do paciente. Não se caracterizam, em hipótese alguma, como estabelecimento prisional ou local de privação absoluta de liberdade. A legislação brasileira, especialmente a Lei nº 10.216/2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, estabelece que toda pessoa em tratamento psiquiátrico deve ter preservados seus direitos fundamentais, sua dignidade humana e sua liberdade, observadas as limitações estritamente necessárias para fins terapêuticos e de segurança. Nesse contexto, as instituições de saúde mental não possuem autorização legal para adotar mecanismos de encarceramento, confinamento forçado ou vigilância permanente incompatíveis com os princípios éticos e legais que regem a assistência em saúde. Conforme registrado em prontuário, o paciente evadiu-se da instituição por volta das 11h30, mediante transposição do muro da unidade hospitalar. Tão logo a evasão foi identificada, a equipe assistencial adotou imediatamente todas as medidas cabíveis e compatíveis com os protocolos institucionais, incluindo buscas ativas nas imediações do hospital, comunicação aos familiares e formalização de Boletim de Ocorrência junto às autoridades competentes. Tais providências encontram-se devidamente registradas em prontuário. Ressalta-se que o paciente se encontrava em tratamento psiquiátrico em razão de quadro psicopatológico previamente identificado pela equipe médica. Pacientes acometidos por transtornos mentais podem, em determinados momentos, apresentar alterações do juízo crítico, impulsividade, baixa percepção de riscos, comportamentos desorganizados e atitudes imprevisíveis, características inerentes à própria condição clínica que motivou sua internação. Essas manifestações, infelizmente, podem culminar em tentativas de evasão, mesmo em ambientes assistenciais estruturados e sob acompanhamento multiprofissional contínuo. Importante destacar que, até o momento da evasão, os registros assistenciais demonstravam que o paciente se encontrava clinicamente estável, orientado, colaborativo e sem intercorrências que permitissem prever de forma objetiva a ocorrência do evento. Os profissionais responsáveis mantinham acompanhamento regular, observação clínica e suporte terapêutico compatíveis com seu estado de saúde e com as diretrizes técnicas aplicáveis. Cumpre ainda enfatizar que a responsabilidade das instituições psiquiátricas consiste em oferecer assistência adequada, acompanhamento multiprofissional, ambiente terapêutico seguro e adoção imediata das medidas cabíveis diante de intercorrências. Tal responsabilidade não se confunde com obrigação de resultado absoluto ou garantia irrestrita de permanência física do paciente, sobretudo diante da impossibilidade legal e ética de manutenção de mecanismos de contenção permanente que violem direitos fundamentais. Dessa forma, a Casa de Saúde Bezerra de Menezes reafirma que todas as medidas assistenciais, administrativas e legais cabíveis foram prontamente adotadas, observando-se rigorosamente os princípios da ética profissional, da legislação vigente, dos direitos humanos e dos protocolos institucionais de segurança. A instituição permanece à disposição das autoridades competentes e dos familiares para quaisquer esclarecimentos adicionais que se façam necessários, reiterando seu compromisso permanente com a qualidade da assistência, a segurança dos pacientes e o respeito à dignidade da pessoa humana." O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), mas não obteve um retorno até a última atualização desta reportagem. Paciente com esquizofrenia desapareceu após fugir de hospital pulando muro em Rio Claro (SP) Arquivo Pessoal REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara